Comportamento

Como resgatar a intimidade com o parceiro após os filhos

Hoje o assunto é sexualidade pós-parto! Mas não tem a ver com a quarentena e com os primeiros dias após o nascimento dos filhos! Tem a ver com a rotina desgastante como mãe durante os primeiros anos das nossas crianças x relacionamento do casal.

Você sabia que a saúde sexual foi reconhecida pela OMS em 1983 como um pilar do conceito de saúde? Photo via Visual hunt

Você sabia que a saúde sexual (ou saúde reprodutiva) é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um pilar do conceito de saúde? Photo via Visual hunt

Abro esta matéria com uma constatação que a doutora Flávia Fairbanks, coordenadora de ginecologia do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, fez durante o evento Saúde da Mulher & Sexualidade, realizado em São Paulo em maio deste ano:

“Infelizmente existe um jargão que fala que o puerpério dura 2 meses (…) Isso não existe!”, afirmou a doutora sobre o resgate da sexualidade da mulher após o nascimento dos filhos. “Acho que não existe UMA mulher que tenha passado pela experiência da maternidade que não tenha tido dificuldades nos primeiros ANOS pós-parto”, ressaltou a especialista.

Sim, anos!

“A mulher moderna é vista como a mulher maravilha, que dá conta de tudo, mas não é verdade. A mulher moderna é uma perfeita malabarista. Como é que a gente dá conta de tudo? Ser mulher, profissional, ser mãe, estar em forma, seguir a dieta correta, cuidar adequadamente dos seus filhos, ser uma boa esposa/ namorada e assim por diante. Sempre tem um prato desses que está meio desequilibrado. Essa culpa sobre a falta de possibilidade da gente conseguir adequadamente equilibrar esses papeis, interfere profundamente na sexualidade da mulher. Então a mulher moderna hoje é uma mulher estressada. A gente tem um stress embutido que tem um reflexo muito grande na questão sexual”, esclarece a doutora Flávia Fairbanks.

A grande dúvida é: O que podemos fazer para termos de volta a intimidade com o nosso parceiro diante de tantas responsabilidades que, são, sim, muito cansativas no dia a dia de uma mãe (e que nem preciso listar aqui porque você já sabe de cor e salteado)?

Resgatar a autoestima é o primeiro passo e, talvez, o processo mais difícil, na minha opinião. Não é fácil se olhar no espelho e confirmar que o peito murchou, a barriga não voltou, o bumbum está flácido. Acho que nos primeiros anos da maternidade estamos tão envolvidas com os cuidados com os filhos e as descobertas de ser mãe que, quando nos damos conta, envelhecemos anos! Voltar os olhos para si, cuidar mais da saúde e do bem estar faz uma diferença enorme na autoestima!

Também é preciso levar em conta que é absolutamente normal o relacionamento dar uma esfriada com o tempo – e não só com a chegada dos filhos. A ginecologista Flávia Fairbanks fez uma comparação sobre o chamado “amor jovem” e o relacionamento do dia a dia, aquele mais duradouro. No amor jovem, o desejo sexual surge súbita e espontaneamente. “É a fase de borboletinhas voando na boca do estômago, que todo mundo queria que durasse para sempre, mas a gente sabe, até do ponto de vista médico, que não tem como durar”, pondera.

“As pessoas se sentem sexualmente insatisfeitas porque não estão vivendo a paixão (…)  Não adianta correr pela paixão a vida inteira. Mas, de vez em quando, quando o relacionamento está muito morno, dê uma apimentada, dê um banho de dopamina e ocitocina”, brinca a ginecologista sobre os hormônios da paixão. “A paixão é o momento máximo da excitação. Mistura das maiores concentrações das melhores substâncias que a gente produz: misto de dopamina com ocitocina”.

Sim, hormônios! E como os nossos hormônios têm tudo a ver com a resposta sexual feminina, é importante também manter em dia a consulta ao ginecologista, pois o(a) médico(a) poderá avaliar os seus níveis de hormônios.

E quando está tudo bem com a saúde, a doutora explica que os nossos sentidos podem ajudar a desencadear o desejo feminino. A visão, a audição, o tato… “Os órgãos dos sentidos estão aí para homens e mulheres usarem e explorarem”, afirmou, listando primeiramente a percepção visual, de se sentir observada, de sentir que o homem está olhando a mulher. E eu acho que é aí que entra a nossa autoestima. Porque você só vai se sentir desejada quando você estiver bem consigo mesma, sem vergonhas da barriga, da celulite, do peito caído. Porque não é isso que importa! Mas que é difícil trabalhar isso na gente, ah é sim!

Também tem a percepção do toque. “A gente precisa estimular os parceiros a nos tocarem, mas não é agarrar. É o toque suave que mostra que vai ter uma conexão corpórea”. E a percepção auditiva: “Que mulher não gosta de ouvir eu te amo? Homens precisam saber falar a coisa certa na hora certa”.  Hummm, talvez o problema esteja aí, né? (hihihi)

“Tendo visão, tato e audição adequadamente estimulados, a resposta sexual funcionará adequadamente”, finaliza a médica.

Para mim, a lição que ficou foi: se está faltando vontade de dar aquele “up” no relacionamento, primeiramente livre-se de culpas. Descarte alguma alteração hormonal. E depois faça a reaproximação com o parceiro usando os sentidos, como visão, audição, tato, paladar e olfato (vale mesmo até o sexto sentido, por quê não? rs).

 

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