Desabafo

A tentativa de uma mãe em querer segurar o tempo (sobre a brevidade)

Sabe aquela vez que você estava no supermercado no meio do terrible two do seu filho, te deixando maluca com tanta birra e de repente aparece uma pessoa desconhecida e fala: “aproveitava que passa rápido”.

Pois é….passou! Dei um suspiro e o Teodoro completará 7 anos em 2018. SE-TE! Meu Deus, os primeiros anos de maternidade foram realmente muito difíceis, principalmente por ter dois filhos com apenas 2 anos de diferença. Mas de repente o tempo começou a voar e escapar das minhas mãos como se fosse areia! Daqui a pouco, sei lá, vou dar outro suspiro e ele estará trabalhando, saindo de casa (pausa para engolir seco).

Ontem estava cantando para os dois dormirem, uma das poucas (poucas não, raríssimas) canções que eu sei de cor: Aquarela, do Toquinho, em parceria com Vinicius de Moraes. Gosto dessa música porque ela é longa e dá pra viajar muito na letra dela. Enfim, estava cantando e, já com os dois adormecidos, cantei os últimos versos e inevitavelmente lágrimas rolaram dos meus olhos…:

Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela que um dia, enfim
Descolorirá

(ops, chorei um pouquinho de novo)

Eu não sei se existe uma análise oficial da letra, mas na minha interpretação levando em consideração toda a letra, o “descolorirá” pode significar o fim da infância, mas já li que tem a ver com a brevidade da vida.

Por um lado, é bom ter essa percepção assustada do tempo. Nos faz querer ficar mais tempo abraçados, dormindo junto, enchendo de beijos, fazendo cafuné, beijinho no dodói, pegando no colo. Todos os dias, quando os dois acordam, pego-os no colo e dou aquele abraço apertado, como em uma tentativa desesperada de uma mãe que quer segurar o tempo. Só solto quando eles se afastam.

A Alice está com 4 anos e ainda tem que um “quê” de bebezinha da mamãe, cheia de dengos, chorinhos mimados e com todos dentes de leite (rs quem tem um filho banguela sabe o que significa cada dente caído nessa corrida do tempo). O Teodoro tem seus momentos de dengo, pede pra dormir com a gente (e dorme), mas já tem uma certa vergoinha quando tasco-lhe um beijo na bochecha na frente dos amigos da escola!

Mas essa é a doideira da maternidade né? Como diz o Toquinho:

“E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar

Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar”

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