Desabafo

Alô, Alô fabricantes de brinquedos: onde estão as heroínas?

Se você for em uma loja de brinquedos rapidamente vai encontrar a prateleira com vários bonecos de super heróis: Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, Thor, Homem Aranha, Superman, Batman, etc.

 

Se você encontrar UMA heroína no meio desses bonecos, por favor, me diga AGORA o endereço dessa loja (rs).

Gente, cadê a Mulher Maravilha, da Liga da Justiça? Cadê a Tempestade, dos X-Men? E a Mulher Invisível, do Quarteto Fantástico? E a Vampira e a Viúva Negra, de Os Vingadores?
heroinas
Meu filho, com quase 4 anos, está curtindo MUITO essa fase de super heróis. É Thor pra lá, Homem de Ferro pra cá e super poderes que não acabam mais. Aí um dia ele me chamou pra brincar junto, mas disse que eu não poderia fazer o papel de herói porque meninas não têm super poder :/
Epa, menina tem poder, sim!!
Hahah então expliquei um pouco sobre as heroínas que conheço. Ok ok mamãe, mas onde estão?
Minha filha, que está com 1 ano e meio, vê o irmão brincando tão empolgado e quer fazer igual. Já até sabe as onomatopéias de um verdadeiro super herói! Ele tem muito ciúmes dos seus bonecos e não gosta de emprestar pra irmã. E foi aí que pensei em dar a boneca de uma heroína pra ela, assim ela teria poderes também e eles iriam brincar juntos. E, por sua vez, meu filho iria aprender que existem heroínas muito legais! Mas me frustrei quando descobri que não existe (fué fué fué fué). E é engraçado, porque a gente entrou num clima retrô que tem tudo da Mulher Maravilha, desde havaianas baby e adulto até objetos de decoração. Mas boneca pra gente brincar que é bom, nada! Minha amiga me lembrou que na nossa época existia a boneca She-Ra (e ela tinha).

 

Até existem as action figures em lojas de colecionáveis, como a Toy Show, mas elas não são feitas propriamente para as crianças, não são brinquedos, são peças de colecionadores. A Mulher Gato (é uma vilã), por exemplo, custa R$ 449,00 na loja online da Toy Show. Tem coragem de largar uma “boneca” dessas na mão de uma criança? hahahah

E no final das contas, sabe quem ocupou esse cargo esquecido no mercado? Ela, a boneca que algumas pessoas adoram criticar: a Barbie! Pois é, entre as mais de 150 profissões já exercidas pela Barbie, também pode-se incluir a de super heroína.  Você já deve ter visto a boneca em uma loja de brinquedos. Ela é inspirada no filme “Barbie Super Princesa” (lançado em DVD e Blu-Ray no início deste ano) e, quando o perigo chama, basta pressionar o botão em seu corpete para que ela gire e se transforme na super heroína, a Super Pink! Sua saia se abre e vira uma capa brilhante, forrada com uma estampa de estrelas – uma saia rosa, cinto, emblema e botas cor-de-rosa completam a produção. É uma heroína “bem Barbie” mesmo, né, com muito glamour e purpurina! rs Mas pelo menos ela tem poder!
barbie princesa

Falei aqui neste post sobre meu filho e minha filha, mas tenho certeza que essa observação não é só minha! Imagino que muuuitas meninas adorariam brincar de heroínas!

Interessante que, conversando sobre essa falha no mercado com uma lojista, ela me disse que outra reclamação bem recorrente das mães em relação à brinquedos é a inexistência de bonecOS. Sim, porque as crianças gostam de brincar de bonecas, dar mamadeira, dar banho, fazer nanar, dar papinha… mas elas também querem brincar de ter um filhinhO e não só uma filhinhA. Eu realmente nunca vi… pode ser até que exista, mas é bem difícil encontrar né?

Quem sabe a venda de bonecas de heroínas e bonecos meninos não ajuda a rever certos conceitos equivocados de brincadeiras de meninas e brincadeiras de meninos? Seria legal, né? Ah, e se estou falando alguma besteira, quer dizer, se existe uma boneca de heroína e um boneco menino, me corrija! (e me fale onde encontrar rs).

* Fotos heroínas: DC Comics/Wikipédia; Marvel Comics/ Wikipédia

* Fotos Barbie: divulgação

Desabafo

Pare, olhe, escute: quando o(a) filho(a) precisa do seu colo (sobre birras e ataques)

Hoje meu filho mais velho deu um xilique daqueles em casa. Estava bem cansado, pois acabamos de voltar de uma viagem de 1 semana.

Tudo aconteceu depois que dei banho na caçula e peguei o leitinho dela. Quando fui me sentar com ela na poltrona que fica no meu quarto, como sempre faço, ele estava lá, vendo TV. Pedi que ele deitasse na cama, pois aquela era a hora da irmã tomar a mamadeira com a mamãe e que depois seria a sua vez (ele sempre respeita). Ele chorou, esperneou e não saiu. Pedi, expliquei, pedi novamente e nada, ele continuava esperneando. Me retirei e fui dar o leite para minha filha no quarto deles. Ele continuou aos berros. Desliguei a TV e disse que só ligaria até ele se acalmar. Óbvio que não se acalmou e, na verdade, isso só piorou as coisas. Só que não quis voltar atrás e ligar a TV, pois não queria ceder aos gritos e choros. Mas o deixei chorando ali, sem interromper: que extravase seu cansaço!

Eu estava no quarto ao lado e ele chorava de soluçar, mas um choro exausto, sabem? E ele não foi atrás de mim, apesar de ele saber aonde eu estava. Eu sabia que não era o desenho, a TV. Terminei de dar a mamadeira, deitei a minha filha no berço e fui ver meu filho. Abracei-o e expliquei o porquê de ele ficar sem desenho nesse restinho de noite. Que já era hora de dormir, ele estava cansado e que ele não tinha sido legal de não dar o lugar quando eu pedi. Ele continuou chorando muito, mas mesmo assim retribuía meu abraço forte. Preparei seu leite – com ele no colo (15 kg) – voltei para o meu quarto e sentei na poltrona com ele, como sempre faço. Afinal, era a vez dele. Mas dessa vez, o sentei no meu colo (aperta um pouco que cabe) e dei a mamadeira (sim, a mamadeira) pra ele na posição de bebê. Ele nem segurou a mamadeira, ficou no meu colo como um bebezinho mesmo. Quando terminou, coloquei ele na cama, deitei ao seu lado e ninguém falou nada. Não rezamos pro papai do céu, ele não escovou os dentes e nem tomou os remedinhos do dia a dia. Apenas nos olhamos, deitamos abraçadinhos e assim ficamos até ele cair no sono profundo – menos de 3 minutos. E nessa hora eu chorei. Chorei porque vi o quanto meu filho estava precisando de mim. Precisando de um colo.

Apenas um colo. Colo de mãe cura.

Quando o(a) segundo(a) filho nasce, sem querer a gente acaba tratando o(a) mais velho(a) como mais maduro, mais responsável e independente. “Cuide da sua irmã. Não deixe sua irmã fazer isso. Olhe sua irmã” (claro que jamais falei isso em situações que poderiam oferecer algum risco). Só que o(a) mais velho(a) é uma criancinha ainda que também precisa de atenção exclusiva. Mimo muito meus dois filhos, tenho meus momentos só com os dois exatamente para eles se sentirem amados individualmente. Mas mesmo assim, na correria do dia a dia, a gente falha, deixa passar uma atenção que ele pediu “fora de hora”.

Esse comportamento só me mostrou como os filhos são frágeis e captam toda nossa energia. Ando muito impaciente com ele, muito mesmo. É a idade dele (3a7m), a idade dela (1a5m), as férias escolares, o pouquíssimo tempo que tenho pra mim, inclusive pra dormir, enfim, N fatores que contribuem.

pare olhe escute

É preciso parar, olhar, escutar, respirar.

Não é fácil. Mas me mantenho firme no propósito de ser a melhor mãe que meus filhos podem ter e isso me dá forças para ser cada dia uma pessoa melhor. Mesmo com minhas falhas e meus erros. Porque a gente sabe quando erra com os filhos, a gente sabe quando exagera numa bronca, quando fala mais alto que o necessário, quando dá um “peraí” desnecessário (entenda por emails, facebook, WhatsApp, Instagram, etc), quando nega um pedido bobo. E o importante é reconhecer essa falha e tentar melhorar.

Hoje, durante seu ataque de birra (carência), eu quase levantei a voz pra falar mais alto que seu choro, quase lhe apontei o dedo e quase o mandei parar de chorar “sem motivo”. Em vez disso, preferi abraçá-lo. E isso nos fez um bem danado. Eu espero e eu quero muito que essa minha atitude se repita nas próximas vezes. Sim, porque haverá outras vezes. Amanhã mesmo, talvez. E se eu não conseguir manter a calma, eu tentarei na próxima e na próxima e na próxima.

Porque eu sou mãe e não desisto nunca!

P.S. A foto da placa “Pare, Olhe, Escute” é de uma pousada que fiquei em 2006 (por isso a qualidade) na cidade de Gonçalves, em MG. Eu sabia que um dia ela me faria o maior sentido, por isso fotografei.

Desabafo

Eu sou feliz e sei

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Photo via Visual hunt

Confesso aqui que, antes de ter os meus filhos, não era uma pessoa “kids friendly” em certas situações. Sabem aquela “tia legal”? Nunca fui! Era do tipo que bufava quando estava em um restaurante e entrava uma criança bagunceira. Que virava os olhos quando viajava de avião ao lado de uma criança chorosa. E que torcia o nariz para a mãe que não conseguia controlar o filho. hahaha Nem preciso dizer o quanto a minha vida se tornou muito melhor depois de tanto cuspe que caiu na minha cara! Hoje tudo mudou, tenho 2 crianças adoravelmente barulhentas e agitadas. E que choram, fazem birra e desobedecem também. Ou seja, crianças normais.

O mais engraçado é que ontem estávamos em um restaurante daqueles que pais não costumam levar crianças pequenas. Restaurante apertadinho, só com turma de amigos e casais nas mesas vizinhas tendo aqueles almoços despretenciosos de sábado à tarde que acabam durando 3 horas! Delícia, fazia isso todo final de semana!

Na nossa mesa tudo ia bem. O prato chegou e as crianças ainda estavam sentadas! UAU! Mas, de repente, nossa mesa vira um caos! É o filho encrencando porque quer comer todos os sachês de sal, é a filha tentando se jogar de cabeça do cadeirão, “não, meu bem, esse garfo não é pra brincar, devolve”, é a mãe que segura a filha com uma mão enquanto desfia o peixe em pedaços milimétricos em busca de uma espinha, é o filho gritando “cadê meu papáááááá?”, é o pai falando pro filho falar baixo, “meu bem, eu já pedi, devolve esse garfo!”, são os filhos brigando entre eles sabe-se lá porquê, é o pai separando a briga, “humm, me dá mais vinho?”, é a filha que começa a chorar porque o pão caiu no chão e ela não aceita outro pão senão aquele, “vou contar até três, devolve esse garfo agora!!!”, é a mesa vizinha olhando pra vocês (tá olhando por que, amiga?)… enfim, a mais completa loucura. Loucura barulhenta. Quem é mãe/ pai sabe a aventura que é sair para almoçar fora com o(s) rebento(s)

E sabe o que aconteceu? Foi neste exato momento que eu parei por alguns instantes, olhei para a cena caótica e pensei: isso pra mim é a mais pura e verdadeira felicidade.

Em tempo: minha família não é de margarina e eu sou normal. Eu surto também, me falta paciência e às vezes exagero na bronca, nunca tenho tempo pra nada, também preciso dos meus momentos me & myself, e sinto saudades dos porres que eu tomava. Mas mesmo assim, tenho certeza de que nunca falarei “eu era feliz e não sabia”…

…porque eu sou feliz e sei!

Guardei essa cena caótica de felicidade na minha caixinha de lembranças. Vou resgatá-la toda vez que estiver me sentindo triste ou desanimada. E você, qual a cena da sua vida que tem o poder de levantar o seu astral?