Desabafo

Insight ou paranoia?

Outro dia li em um grupo do Facebook uma mãe contando que estava ensinando seu filhinho de quase 4 anos a agir caso ela caísse dura no chão e não acordasse (moram apenas os dois no apartamento). Nos comentários deste relato tinham muitas mães dizendo que já ensinavam aos filhos a discar 190 no telefone ou outras formas de pedir socorro.

Eu nunca tinha parado pra pensar nisso, juro!

Photo via Visualhunt

Eu aposto que você tem ou já teve alguma paranoia (ou “insight”) em casa em relação aos filhos! /Photo via Visualhunt

Mas no dia seguinte que li este post, eu estava andando na rua debaixo de um sol muito forte e me abaixei para falar com meu filho, que estava no carrinho. Quando me levantei, deu uma tontura tão forte que até tive que parar um pouco pra me recuperar. E foi aí que pensei (segue meu “diálogo” comigo mesma):

Nossa, e se acontecesse alguma coisa comigo aqui, no meio da rua e eu demorasse pra acordar?
Bom, certo que vão pegar meu celular e ligar pra alguém.
Mas meu celular é bloqueado… tem senha!!
Ah, mas eles acham algum familiar através dos meus documentos.
Mas até aí o resgate já chegou (ESPERO!) e já estão me levando pro hospital. Duvido muito que coloquem meus filhos na ambulância junto. Devem chamar alguma assistente social, que irá levá-los para algum lugar até acharem algum responsável para buscá-los. Nesse tempo eu vou acordar e me desesperar por não saber do paradeiro deles. Eu não quero me separar dos meus filhos! Imaginem como vão ficar assustados, tadinhos??

Eu realmente não sei ainda se isso foi um insight ou uma paranoia!

Contei pra minha amiga e ela me chamou de louca (eu??? hahah)! E se minha mãe ler isso vai até ficar brava comigo. “Para de pensar besteira, Cátia!!” – tenho certeza que ela vai falar isso.

De uma coisa é certa: mãe é tudo louca mesmo, minha amiga não está tão errada, não! E eu aposto que você tem ou já teve alguma paranoia (ou “insight”) em casa em relação aos filhos. Conte para a mim, vai!

Desabafo

Alô, Alô fabricantes de brinquedos: onde estão as heroínas?

Se você for em uma loja de brinquedos rapidamente vai encontrar a prateleira com vários bonecos de super heróis: Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, Thor, Homem Aranha, Superman, Batman, etc.

 

Se você encontrar UMA heroína no meio desses bonecos, por favor, me diga AGORA o endereço dessa loja (rs).

Gente, cadê a Mulher Maravilha, da Liga da Justiça? Cadê a Tempestade, dos X-Men? E a Mulher Invisível, do Quarteto Fantástico? E a Vampira e a Viúva Negra, de Os Vingadores?
heroinas
Meu filho, com quase 4 anos, está curtindo MUITO essa fase de super heróis. É Thor pra lá, Homem de Ferro pra cá e super poderes que não acabam mais. Aí um dia ele me chamou pra brincar junto, mas disse que eu não poderia fazer o papel de herói porque meninas não têm super poder :/
Epa, menina tem poder, sim!!
Hahah então expliquei um pouco sobre as heroínas que conheço. Ok ok mamãe, mas onde estão?
Minha filha, que está com 1 ano e meio, vê o irmão brincando tão empolgado e quer fazer igual. Já até sabe as onomatopéias de um verdadeiro super herói! Ele tem muito ciúmes dos seus bonecos e não gosta de emprestar pra irmã. E foi aí que pensei em dar a boneca de uma heroína pra ela, assim ela teria poderes também e eles iriam brincar juntos. E, por sua vez, meu filho iria aprender que existem heroínas muito legais! Mas me frustrei quando descobri que não existe (fué fué fué fué). E é engraçado, porque a gente entrou num clima retrô que tem tudo da Mulher Maravilha, desde havaianas baby e adulto até objetos de decoração. Mas boneca pra gente brincar que é bom, nada! Minha amiga me lembrou que na nossa época existia a boneca She-Ra (e ela tinha).

 

Até existem as action figures em lojas de colecionáveis, como a Toy Show, mas elas não são feitas propriamente para as crianças, não são brinquedos, são peças de colecionadores. A Mulher Gato (é uma vilã), por exemplo, custa R$ 449,00 na loja online da Toy Show. Tem coragem de largar uma “boneca” dessas na mão de uma criança? hahahah

E no final das contas, sabe quem ocupou esse cargo esquecido no mercado? Ela, a boneca que algumas pessoas adoram criticar: a Barbie! Pois é, entre as mais de 150 profissões já exercidas pela Barbie, também pode-se incluir a de super heroína.  Você já deve ter visto a boneca em uma loja de brinquedos. Ela é inspirada no filme “Barbie Super Princesa” (lançado em DVD e Blu-Ray no início deste ano) e, quando o perigo chama, basta pressionar o botão em seu corpete para que ela gire e se transforme na super heroína, a Super Pink! Sua saia se abre e vira uma capa brilhante, forrada com uma estampa de estrelas – uma saia rosa, cinto, emblema e botas cor-de-rosa completam a produção. É uma heroína “bem Barbie” mesmo, né, com muito glamour e purpurina! rs Mas pelo menos ela tem poder!
barbie princesa

Falei aqui neste post sobre meu filho e minha filha, mas tenho certeza que essa observação não é só minha! Imagino que muuuitas meninas adorariam brincar de heroínas!

Interessante que, conversando sobre essa falha no mercado com uma lojista, ela me disse que outra reclamação bem recorrente das mães em relação à brinquedos é a inexistência de bonecOS. Sim, porque as crianças gostam de brincar de bonecas, dar mamadeira, dar banho, fazer nanar, dar papinha… mas elas também querem brincar de ter um filhinhO e não só uma filhinhA. Eu realmente nunca vi… pode ser até que exista, mas é bem difícil encontrar né?

Quem sabe a venda de bonecas de heroínas e bonecos meninos não ajuda a rever certos conceitos equivocados de brincadeiras de meninas e brincadeiras de meninos? Seria legal, né? Ah, e se estou falando alguma besteira, quer dizer, se existe uma boneca de heroína e um boneco menino, me corrija! (e me fale onde encontrar rs).

* Fotos heroínas: DC Comics/Wikipédia; Marvel Comics/ Wikipédia

* Fotos Barbie: divulgação

Desabafo

Pare, olhe, escute: quando o(a) filho(a) precisa do seu colo (sobre birras e ataques)

Hoje meu filho mais velho deu um xilique daqueles em casa. Estava bem cansado, pois acabamos de voltar de uma viagem de 1 semana.

Tudo aconteceu depois que dei banho na caçula e peguei o leitinho dela. Quando fui me sentar com ela na poltrona que fica no meu quarto, como sempre faço, ele estava lá, vendo TV. Pedi que ele deitasse na cama, pois aquela era a hora da irmã tomar a mamadeira com a mamãe e que depois seria a sua vez (ele sempre respeita). Ele chorou, esperneou e não saiu. Pedi, expliquei, pedi novamente e nada, ele continuava esperneando. Me retirei e fui dar o leite para minha filha no quarto deles. Ele continuou aos berros. Desliguei a TV e disse que só ligaria até ele se acalmar. Óbvio que não se acalmou e, na verdade, isso só piorou as coisas. Só que não quis voltar atrás e ligar a TV, pois não queria ceder aos gritos e choros. Mas o deixei chorando ali, sem interromper: que extravase seu cansaço!

Eu estava no quarto ao lado e ele chorava de soluçar, mas um choro exausto, sabem? E ele não foi atrás de mim, apesar de ele saber aonde eu estava. Eu sabia que não era o desenho, a TV. Terminei de dar a mamadeira, deitei a minha filha no berço e fui ver meu filho. Abracei-o e expliquei o porquê de ele ficar sem desenho nesse restinho de noite. Que já era hora de dormir, ele estava cansado e que ele não tinha sido legal de não dar o lugar quando eu pedi. Ele continuou chorando muito, mas mesmo assim retribuía meu abraço forte. Preparei seu leite – com ele no colo (15 kg) – voltei para o meu quarto e sentei na poltrona com ele, como sempre faço. Afinal, era a vez dele. Mas dessa vez, o sentei no meu colo (aperta um pouco que cabe) e dei a mamadeira (sim, a mamadeira) pra ele na posição de bebê. Ele nem segurou a mamadeira, ficou no meu colo como um bebezinho mesmo. Quando terminou, coloquei ele na cama, deitei ao seu lado e ninguém falou nada. Não rezamos pro papai do céu, ele não escovou os dentes e nem tomou os remedinhos do dia a dia. Apenas nos olhamos, deitamos abraçadinhos e assim ficamos até ele cair no sono profundo – menos de 3 minutos. E nessa hora eu chorei. Chorei porque vi o quanto meu filho estava precisando de mim. Precisando de um colo.

Apenas um colo. Colo de mãe cura.

Quando o(a) segundo(a) filho nasce, sem querer a gente acaba tratando o(a) mais velho(a) como mais maduro, mais responsável e independente. “Cuide da sua irmã. Não deixe sua irmã fazer isso. Olhe sua irmã” (claro que jamais falei isso em situações que poderiam oferecer algum risco). Só que o(a) mais velho(a) é uma criancinha ainda que também precisa de atenção exclusiva. Mimo muito meus dois filhos, tenho meus momentos só com os dois exatamente para eles se sentirem amados individualmente. Mas mesmo assim, na correria do dia a dia, a gente falha, deixa passar uma atenção que ele pediu “fora de hora”.

Esse comportamento só me mostrou como os filhos são frágeis e captam toda nossa energia. Ando muito impaciente com ele, muito mesmo. É a idade dele (3a7m), a idade dela (1a5m), as férias escolares, o pouquíssimo tempo que tenho pra mim, inclusive pra dormir, enfim, N fatores que contribuem.

pare olhe escute

É preciso parar, olhar, escutar, respirar.

Não é fácil. Mas me mantenho firme no propósito de ser a melhor mãe que meus filhos podem ter e isso me dá forças para ser cada dia uma pessoa melhor. Mesmo com minhas falhas e meus erros. Porque a gente sabe quando erra com os filhos, a gente sabe quando exagera numa bronca, quando fala mais alto que o necessário, quando dá um “peraí” desnecessário (entenda por emails, facebook, WhatsApp, Instagram, etc), quando nega um pedido bobo. E o importante é reconhecer essa falha e tentar melhorar.

Hoje, durante seu ataque de birra (carência), eu quase levantei a voz pra falar mais alto que seu choro, quase lhe apontei o dedo e quase o mandei parar de chorar “sem motivo”. Em vez disso, preferi abraçá-lo. E isso nos fez um bem danado. Eu espero e eu quero muito que essa minha atitude se repita nas próximas vezes. Sim, porque haverá outras vezes. Amanhã mesmo, talvez. E se eu não conseguir manter a calma, eu tentarei na próxima e na próxima e na próxima.

Porque eu sou mãe e não desisto nunca!

P.S. A foto da placa “Pare, Olhe, Escute” é de uma pousada que fiquei em 2006 (por isso a qualidade) na cidade de Gonçalves, em MG. Eu sabia que um dia ela me faria o maior sentido, por isso fotografei.