Comportamento

Mãe, menina pode casar com menina?

Teodoro, no “auge” dos seus 5 anos, diz que está namorando com uma amiguinha da escola e que vão se casar quando crescerem. Respondo que criança não namora, nem de brincadeira.

Alice, de 3 anos, esponjinha como só, resolve participar do assunto. Mesmo sem entender o real significado de casamento, ela não quer perder para o irmão e afirma que também vai se casar. Com a sua amiguinha inseparável da escola hahaha. Nem dá tempo de falar alguma coisa, o mais velho já pergunta: mas mãe, menina pode casar com menina?

Gente, eu nem queria esse papo de namoro, casamento, peloamor, são crianças!! Mas olha, se tem uma coisa que posso oferecer desde agora para os meus filhos, é a minha referência sobre respeito e diversidade.

Filhos, escutem: criança não namora nem casa. PONTO. Mas quando ADULTOS, sim, MULHERES podem se casar com mulheres, HOMENS podem se casar com homens, assim como mulheres casam-se com homens. As pessoas podem se casar com qualquer outra, desde que tenham (idade para tal rs) amor e respeito. É isso que determina uma relação. E fim de papo. Agora vão BRINCAR!

Esse papo não rolou apenas uma vez. Vira e mexe o assunto volta à tona e lá vou eu explicar sobre a diversidade. E explicarei quantas vezes for necessário, mas também sem muito blá-blá, porque não tem muito o que explicar… É isso! (ah, e também falo que para uma pessoa ser feliz ela não precisa necessariamente estar casada. Mas isso é assunto para um próximo post…)

Recentemente, nos Estados Unidos, foi exibido um episódio de Doutora Brinquedos no Disney Channel (chamado The Emergency Plan) no qual existia uma família composta por duas mães. As vozes que dão vida às personagens são das atrizes Wanda Sykes e Portia de Rossi, assumidamente gays.

doutora brinquedos

Que maravilhoso, que bom que nossas crianças tenham a oportunidade de crescer assistindo a desenhos que representem todos os formatos de família. Ainda é o comecinho, mas tenho certeza que essa geração será muito mais empática do que a nossa!

E na sua casa, já rolou esse papo também? Como foi?

Desabafo

Primeiros minutos do dia de uma mãe com filhos em férias

São 10h da manhã e eu ainda estou de pijama. Desentendidos dirão “êê vida boa”. Mães entenderão.

Só para registrar como são os primeiros minutos do dia de uma mãe com filhos em férias. Liguei o computador para dar sequência a um curso online que estou fazendo. A aula mal começou e o filho acorda. Largo o computador aberto, pois em breve voltarei. Só preciso dar café da manhã…

“Quero pão de queijo”

Acendo o forno. Enquanto preaquece, vou pendurar a roupa que está na máquina de lavar desde ontem.

Penduro apenas 1 peça e ouço: “mãe, mas cadê meu leite?” Deixo a máquina de lavar aberta, pois logo voltarei a pendurar as roupas. Enquanto pego o leite, a caçula: “mãe, muda de desenho? Esse tá chato”. Deixo o leite em cima do balcão da cozinha e vou pra sala mudar o desenho.

Ops, já passou o tempo, preciso colocar o pão de queijo no forno.

“MÃE, quero leiteeeeee”

“Xixiiiiiiiiiii”, diz a caçula

Telefone toca e é alguém do cartão Marisa me lembrando (cobrando) do pagamento. Xiiiiii

“Mãe, meu leite!!!”

E a roupa para pendurar ficará para mais tarde ou para amanhã…

O curso online continua no pause, nem sei pra quando fica….

Lavar a louça? hahahaha Faz-me rir

louça pra lavar

E ai minhas pendências urgentes começam a vir à tona na minha cabeça para me atormentar. Marcar oftalmo para as crianças, pedir reembolso do plano de saúde, comprar pipicat para as gatas, comprar legumes para uma sopinha, farmácia… Tudo tão simples de fazer, mas tão longe de cumprir…Difícil definir as prioridades, né?

Mãe, brinca comigo?

Mãe, o Teodoro me bateu

Mãe, posso brincar de tinta?

Mãe, quero andar de bicicleta

Pausa para revirar a sala atrás do controle remoto da televisão que estava aqui agora mesmo. Meu Deus, como podem fazer tanta bagunça em tão pouco tempo?

Mãe, o Wi-Fi não tá funcionando

Mãe
Mãe
Mãe

Parem de brigar! Irmãos não brigam….

Mãe
Mãe
Mãe

Mããããe, acabei, vem limpar?!

Mããããããnheeeeeeee

Eu realmente não faço a mínima ideia de quantos “mães” ouço no dia.

PÃO DE QUEIJO QUEIMOU!

pao de queijo queimado

E assim o dia segue…fazendo tudo pela metade, um pouquinho aqui, outro ali. Outro dia postei no Instagram que adocei o meu café com hidrosteril no lugar de adoçante. SUPER COMPREENSÍVEL. Será que é isso que chamam de exaustão?

instagram_todasasmaes

 

São 10h da manhã e eu ainda estou de pijama. Desentendidos dirão “êê vida boa”. Mães entenderão.

E sim, ainda os levarei (pretendo) para brincar na pracinha, naquela atração do shopping, no cinema, no teatrinho, sei lá aonde!!! Isso se eu conseguir que eles calcem os sapatos em menos de dez minutos. Isso depois de mais dez minutos explicando pro filho mais velho que NÃO, não dá para ele usar shorts e chinelo nesse frio que está fazendo (afinal de contas, né, quero seguir a disciplina positiva que tanto leio na internet. Aprendi que mandar colocar a calça apenas pelo fato de mandar, pode fazer dele um menino obediente sim, mas lá na vida adulta não será uma pessoa consciente e questionadora, pois a mãe só mandava. Será que é isso mesmo, será que entendi certo o vídeo daquele influencer famoso sobre educação?).

Ai, caramba, a Alice não quer entender que NÃO, eu não vou liberar o Toddynho (mães fitness, me julguem) porque ela já comeu dois pedaços de bolo de chocolate no café da manhã. (Ó mãe displicente, tacando açúcar nessa criança. Faz uma tapioca, tão simples de fazer e muito mais saudável… ahã).

“Filha, calma, não precisa chorar assim, filha, é que você já comeu DOIS pedaços de bolo! A gente combinou, né? (fazendo a mãe bacana)”

“Não vou falar mais com a mamãe, a mamãe não é minha amiga”, alerta a minha caçula, que ficou de mal de mim pela quinta vez no dia.

Ai, quer saber?! Pode tomar esse Toddynho. Filho, quer ir de shorts? Vai!

Sei que no final dia a palavra que mais falo por aqui é: “peraí! E exausta, ainda suplico: “Peraí gente por favor, a mamãe é uma só (cláaasssico de mãe), só consigo fazer uma coisa de cada vez (mentira)”.

E ai o marido chega à noite e pergunta: e aí, o que vocês fizeram hoje?

Olha… Nem sei responder. Muitas vezes a minha resposta é: ah, nada demais, eles ficaram brincando…

E é aí que peco, que me saboto! Porra, fiz coisa pra caralho (desculpem, eu também falo palavrão)! Quer dizer, EU mesma não consegui fazer nada, mas eles… Tão curtindo bastante essa vida sem compromissos rs! Mas tudo bem, né, quem está de férias são eles e não eu.

Aliás, aonde fica o RH dessa casa, porque acho que estou com minhas férias vencidas há 5 anos!!!

P.S. Aí depois de ler o meu post você fala: “Ah vá, não tem tempo pra nada, mas consegue escrever um texto”. É, mas tudo tem o seu preço. Em meia hora que sentei no computador, minha sala ficou assim:

Sofá arrastado e colado à frente da TV, objetos não identificados no chão, migalhas de bolo e pão de queijo em todo lugar, um colchão quase na porta pra rua... Meu Deus, tchau redes sociais, preciso ir!

Sofá arrastado e colado à frente da TV, objetos não identificados no chão, migalhas de bolo e pão de queijo em todo lugar, um colchão quase na porta pra rua… Meu Deus, tchau redes sociais, preciso ir!

Desabafo

A chatice de ler sobre o lado ruim da maternidade

Vou contar uma coisa… às vezes (muitas vezes) me irrito quando leio/ assisto matérias do tipo “desmistificando a maternidade”, “o lado B da maternidade” ou, falando mais abertamente, “o lado ruim da maternidade”. Porque ser mãe não é fácil, porque a gente não dorme bem nunca mais, porque amamentar é dolorido,  porque educar é estressante, porque o casamento sofre mudanças etc etc etc. Essa é a mais pura verdade? É! Mas de tanto texto assim que vejo por aí, parece até que o objetivo é desencorajar as futuras mães…

textos sobre maternidade

Photo via VisualHunt

OK, entendo que é importante falar sobre a vida real, até mesmo para outras mães que estejam passando pela mesma situação encontrarem uma rede de apoio e poderem sentir que não estão só. Mas, por outro lado, acho chatíssimo ficar falando o tempo todo das coisas negativas da vida de mãe. Quando eu estava com 8 meses de gravidez do meu primeiro filho li uma matéria em um blog falando que a amamentação era difícil, era dolorida, que podia dar mastite, que o peito ia rachar, que o bebê ia demorar muito para aprender a pega. E sinceramente? Achei super broxante ler tudo aquilo!

Quando meus filhos completaram 2 anos, eu estava mais preocupada com o tal do “terrible two” que li tanto na internet do que com as novidades do desenvolvimento deles. Qualquer chorinho eu já apontava: “olha lá, olha lá, é o terrible two!!”. E às vezes nem era isso…

Eu sei que precisamos falar também das dificuldades do mundo materno. Mas acho que, se é pra falar algo ruim, que seja dando a solução, indicando um caminho, ajudando ou então que vá pelo lado mais cômico, mais na esportiva. Falar que é difícil só por falar, me parece um spoiler chato, um estraga prazeres. Por que eu vou querer saber das “10 coisas chatas que não te contaram sobre a maternidade” se posso descobrir eu mesma sendo mãe dos meus filhos?

Está rolando uma problematização da maternidade muito maçante na minha opinião. Acho que dá para levar a vida com os filhos com mais leveza, não dá?

Esse “sermão” serve para mim também, tá? Muitas vezes me pego falando sem necessidade sobre partes chatas de maternar. Quer tentar fazer um reforço positivo comigo nos próximos dias? Que tal nos esforçarmos para enxergar mais o lado A da maternidade, que é o que importa de verdade?