Comportamento

Por que o segundo filho é mais fácil… E por que é difícil também

Mãe de dois

mae de 2

Todo mundo acha que quando o segundo filho vem, tudo é mais fácil, afinal de contas você já sabe o que é ter um filho, já sabe o que é ser mãe.

Bom, é verdade, o segundo filho, salvo algumas exceções, vem sem grandes novidades. Você já é mãe, já sabe o que vem pela frente, já passou pelas fases de desenvolvimento do primeiro filho. Mesmo que o intervalo entre os dois seja de poucos meses ou vários anos. A experiência de ser mãe você já tem e isso não vai mudar. 

O que mudou para mim foi o modo com que encarei a maternidade. Como foram gestações sem sustos de saúde, levei a segunda gravidez de um jeito mais leve, se me preocupar tanto (e sem ler tantos livros “gravidez mês a mês”). Mas isso é ruim também. Me pergunte se eu fiz o “livro do bebê” da minha caçulinha, com tooodos aqueles detalhes do nascimento?! Quando ela crescer e descobrir isso, aposto que vai ficar #chateada :/

No final da primeira gravidez, evitava carregar peso e fazer muito esforço. No final da segunda gravidez eu carregava o primogênito no colo (na época com 2 anos) pra cima e para baixo. Não que isso fosse indicado, mas não tinha o que fazer!

Na amamentação do Teodoro – que foi até 1 ano e 1 mês – eu sentava calmamente na minha poltrona branca de couro, colocava uma musiquinha suave, deixava só a luz do abajur acesa e ele mamava tranquilamente. Com a Alice não teve esse romantismo todo em torno da amamentação. Ela mamava enquanto o irmão pulava em cima de mim querendo brincar ou enquanto eu dava bronca de longe falando que ele não podia colocar a mão na tomada ou enquanto ele tinha seus ataques de birra típicos do terrible two! Hahaha

Se por um lado a caçula não desfrutou de momentos tranquilos na amamentação, por outro lado ela teve a chance de ter o irmão o tempo todo estimulando seu desenvolvimento. Por mais caretas que você faça, não existe nada mais engraçado para um bebê do que outra criança. Eles se divertem juntos desde os primeiros meses!

É interessante também notar que não só você e a sua mentalidade mudam entre uma gravidez e outra… as recomendações mudam e nem precisa voltar muito no tempo, não. Quando meu filho mais velho nasceu, há 5 anos, alguns pediatras e azamigas diziam que o bebê deveria dormir desde o primeiro dia de vida no berço dele para se acostumar a dormir sozinho. Naquela época o livro “Nana, Nenê” fazia o maior sucesso sugerindo o método de deixar o bebê chorando sozinho no berço em intervalos controlados até o seu filho aprender a dormir. Pegar no colo era um erro!

Eu não segui esse método, não existia a menor possibilidade de eu ouvir o meu filhote chorando e deixá-lo sozinho desamparado. Mas que fez um sucesso entre muitas mães da época, isso fez.

Já quando a Alice nasceu, há 3 anos (diferença de 2 anos entre um e outro), esse método de deixar o bebê chorando já tinha sido muito questionado e abandonado pelas mães. E começou a surgir por aqui o berço de co-sleeper, aquele bercinho para colocar do lado da cama da mãe. Hoje em dia a Academia Americana de Pediatria recomenda que o bebê durma no quarto dos pais até um ano de vida. E esse berço co-sleeper, até então caro e dificílimo de ser achado, é bem mais comum hoje em dia nas lojas de móveis.

Isso sem contar com as mudanças mais que necessárias nas recomendações de parto cesariana, de acordo com as regras estabelecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 2015. O incentivo ao parto normal mudou drasticamente de poucos anos para cá, embora ainda esteja aquém do ideal – em 2016, 55% dos partos foram através de cirurgia cesariana, segundo o Ministério da Saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que apenas 15% dos partos sejam cesários.

Ou seja, a sua cabeça em relação à maternidade também muda de acordo com o meio que você está vivendo. Tem muito de uma questão histórica e cultural. Isso explica quando os mais velhos insistem em dizer “na minha época não era assim”… Dá para entender, né? (Só não precisa seguir todas as indicações do tempo da vovó hihihi).

Mas das coisas que não mudam, consegui listar algumas facilidades e dificuldades de ter o segundo filho:

Facilidades

– aproveitar roupas, uniformes, móveis e acessórios do primeiro filho – mesmo que de sexos diferentes.

– você já tem bastante experiência na troca de fralda

– não precisa se descabelar para encontrar um pediatra para o seu segundo filho, você já tem um.

– já tem opinião formada sobre dar vacina no posto de saúde ou na clínica particular.

– já sabe em qual escolinha/ creche vai colocar o(a) segundinho(a)

– eles brincam juntos. Bastante! E você vai se derreter de amor quando presenciar uma cena de carinho, que não são poucas <3

Dificuldades

– dependendo da diferença de idade entre os filhos – no meu caso 2 anos – você passa cerca de 5 anos trocando fraldas e mais fraldas. E se os 2 usarem fraldas ao mesmo tempo, os gastos com farmácia sobem assustadoramente.

– um acorda, o outro acorda também :/ Mesmo que seja 5h da manhã!

– eles brigam. Bastante! E você será sempre a juíza de pequenas causas. Minúsculas causas, na verdade.

– virose: um pega, o outro pega também. Mas pelo menos quando o segundo fica doente, você já sabe o que está por vir.

– Se com um filho você já ouvia o chamado “mãe” 467.873 vezes, esse número vai dobrar com dois filhos. Com três filhos, eu andaria com um fone de ouvido! Hihih brincadeira (não, não é brincadeira).

São inúmeras facilidade e dificuldades, eu diria até incontáveis!

Você me ajuda a aumentar essa lista?

Quais são as maiores facilidades e dificuldades de ser mãe de dois (ou mais)?

Comente aqui e marque as suas amigas para comentarem também!

Desabafo

Checando as resoluções de ano novo (retrospectiva 2016)

Quem consegue escapar daquele check list básico de fim de ano? Pensar no que fizemos neste ano e enumerar as coisas que gostaríamos de fazer no ano que está por vir é inevitável, não é? Para mim, pelo menos, é!

christmas-tree-xmas-crystal-ball-decoration-seasonAliás, é por conta desse balanço de fim de ano que muitas pessoas sentem-se melancólicas, um pouco mais ansiosas e angustiadas. Isso se chama “Christmas blues“, que é uma tristeza temporária e mais ligada ao estresse gerado por situações como relações conflituosas com familiares, solidão, dificuldades financeiras frente a pressão por consumo nessa época do ano e até pela correria com os preparativos para as festas, como explica a psiquiatra da Beneficência Portuguesa de São, Andrea Mazzoleni: “É muito comum confundir os sintomas da Christmas blues com os da depressão, que é um transtorno mental caracterizado por um conjunto de sintomas, que podem ou não incluir a tristeza. Só o diagnóstico clínico, feito por um profissional especializado, pode diferenciá-las”.

Eu incluiria aí também como um grande causador do “Christmas blues” assistir aos programas de retrospectiva do ano exibidos pela TV! Affff

De acordo com a psiquiatra, os sintomas da “Christmas blues” costumam desaparecer em poucos dias. Ufa, menos mal!

Outra coisa que deixa a gente bem pra baixo nessa época é reler as resoluções de ano novo (do que passou) e constatar que não fizemos nem a metade do que queríamos! Quem aí colocou que em 2016 ia viajar mais e ficou por aqui mesmo? Ou que ia se estressar menos e está quase ganhando uma úlcera?

Photo via condesign via Visual Hunt

Photo via condesign via Visual Hunt

Eu resolvi reler a minha listinha de 2016, publicada aqui mesmo no blog no dia 06 de janeiro. Vou copiar e comentar em negrito, como uma espécie de retrospectiva 2016 da minha persona e do blog!

P.S. O post original pode ser lido clicando aqui.

1.       Organização

Terminei o ano de 2015 reclamando que precisava organizar isso, arrumar aquilo, e comecei o ano de 2016 arregaçando as mangas. É chato, é difícil em alguns casos, mas é necessário colocar a sua casa em ordem para a sua vida entrar nos eixos também. Se tem algo que me deixa extremamente irritada é acúmulo de tralha. Conheci um perfil do facebook chamado Reorganize que é bem bacana e dá dicas super interessantes de organização. A princípio comecei organizando os brinquedos das crianças. E, meu bem, quem consegue colocar os brinquedos em ordem, consegue organizar qualquer coisa!

Ainda insisto na organização, apesar da minha casa ser uma eterna bagunça. Mas acho que fiz um bom trabalho nesse quesito em 2016. Pelo menos publiquei alguns posts interessantes sobre o tema, como a entrevista com Micaela Goés, apresentadora do programa Santa Ajuda, do GNT; Ordem nessa bagunça; 11 ideias para organizar os bichinhos de pelúcia; 10 ideias para organizar as fantasias; Download grátis do pôster “Desculpe a Bagunça”.

2.       Cuidar mais de mim

Isso nem deveria estar nesta lista… deveria fazer parte do meu dia a dia. Mas se está aqui é porque eu me deixei para trás. E você, anda cuidando da sua saúde? Aliás, depois que os filhos nasceram  você já voltou na sua ginecologista para fazer exames de rotina? Então está na hora de pegar o telefone e marcar aquela consulta né? Eu vou fazer isso! A gente tem que ficar bem para poder cuidar dos filhos. Tem que tirar um tempo pra isso sim.

Cuidei mais de mim e foi a melhor coisa que aconteceu! Fazendo exames de rotina, foi encontrado um nódulo no seio. Leia todo o meu relato no post “A saúde da mãe sempre para trás e o dia que descobri um nódulo no seio”. Bem, a história não acabou aí e agora em janeiro de 2017 terei que voltar a fazer exames para acompanhamento deste nódulo.  Leiam os detalhes e a continuação em “Um susto em minha vida: o resultado da mamografia“. 

3.       Atividade física

Nunca fui muito adepta de esportes, mas agora acho que meu corpo está sentindo falta de exercícios. Vamos ver como vou me sair… em fevereiro vou começar a fazer aulas de tênis, aproveitando o estímulo do maridon. É uma resolução, mas não é uma garantia (rs)

Me julguem, mas saí do tênis :/ Mas cheguei a me inspirar no esporte quando escrevi o post “O espírito esportivo habita o coração de todas as mães”. Em 2017 pretendo voltar a fazer algum esporte, só não sei qual nem quando nem onde hahahah 

4.       Montar os álbuns de fotografia

Eu até já escrevi sobre como organizar fotos da família e montar álbuns de fotografia aqui. O problema é que estou com uns 5 álbuns a fazer hahaha E nesse atraso as fotos vão acumulando e se perdendo nas pastas, emails, HDs e afins. Neste ano colocarei as fotos e álbuns em ordem!

Dos 5 pendentes de 2015, terminei 1. E em 2016 ganhei mais uma pendência de álbum. Então fiquei negativa 🙁

5.       Estudar e aprender

Tenho 2 projetos que me dedico bastante: o blog Todas as Mães e o Mimozário. E faz parte das minhas resoluções de ano novo estudar mais sempre em busca de conhecimento que me ajude a desenvolver melhor os meus trabalhos. A internet taí cheia de conteúdo para nos incentivar. Se você também está em busca de conhecimento e estímulos para seus projetos, use e abuse da web, pois ela é uma ótima fonte. Para as mães que querem empreender em 2016, sugiro conhecer o site http://www.eduk.com.br que oferece cursos online de diversos segmentos.

Me inscrevi em alguns bons cursos (pela internet) e não terminei nenhum! 🙁

6.       Refeições na mesa

Estou me esforçando para almoçar todos os dias na mesa com os meus filhos. Eu não fazia isso, eles almoçavam na mesinha deles em frente à TV e eu comia junto no sofá. Quero muito mudar esse péssimo hábito. Acho que sentar-se à mesa com a sua família é um dos momentos que devem ser cultivados. E sem celular! Outro dia meu marido chamou a atenção do meu filho que estava comendo em frente à TV e não estava prestando atenção no que estava fazendo (comendo, no caso). Foi aí que me liguei: pô, mas é esse o exemplo que eu dou! Então antes de chamar a atenção dele, eu tenho que fazer o certo.

Comecei a fazer as refeições com eles na mesa, mas a coisa degringolou e voltou toda a bagunça: todos comendo em frente à TV 🙁 

7.       Tomar mais água

Meu filho mais velho é super difícil para beber água. Água aqui é só na base da chantagem. Só que mais uma vez não estou dando o exemplo. Muitas vezes já me peguei no final do dia contabilizando: zero copos de água durante o dia todo. Como posso cobrar do meu filho?

Sem comentários, dona Cátia! 🙁

8.       Ser mais paciente e tolerante

Isso é pra vida, né? Não se trata bem de uma resolução de ano novo e sim de uma busca constante de paz interior.

Não é fácil, não, ainda mais para uma mãe que cuida/ educa/ brinca/ alimenta/ as crianças. Aliás, leram o meu post “Mãe não é (e nem tem que ser) supermãe”? Tem tudo a ver com essa nossa cobrança de ser perfeita em tudo. Mas enfim, a busca pela paciência e tolerância continua firme!

É gente, não zerei a minha lista de 2016 :/ Mas isso não vai me abalar não! Sigo em frente na certeza que 2017 será um ótimo ano! Tem que acreditar! Vou bolar a minha listinha de 2017 e depois conto para vocês!

Desabafo

Mãe não é (e nem tem que ser) supermãe

Na última semana rodou na rede a foto mostrando Melissa Wardlow trabalhando como fotógrafa em um jogo de futebol americano, ao mesmo tempo que carregava seu filho de 3 anos e o caçula de 8 meses no canguru. A foto foi publicada no The Dallas Morning News e a fotógrafa foi chamada de “ultimate multitasking” ou “mãe multitarefa”. A foto é de setembro, mas só agora que tomou uma proporção maior no Brasil.

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Um filho de 3 anos nas costas, outro de 8 meses na frente, mamadeira em uma mão, câmera na outra e muito trabalho

As pessoas (e eu também faço isso sem querer) têm a mania de achar lindo ser uma supermãe. Mas será que quando cultuamos essa mãe multitarefas – aquela que faz de tudo um pouco tão bem – não estamos também renegando ajuda, seja do pai ou de outro cuidador? Não cabe a mim criticar nem julgar, apenas estou fazendo um convite à reflexão.

Nessa foto muitas veem uma mãe guerreira, que não se abala com as dificuldades e carrega literalmente os filhos para o trabalho. Outras pessoas têm outro ponto de vista e enxergam uma mãe sobrecarregada, precisando de ajuda.

O pai é o treinador de um dos times que estava jogando. Ao que tudo indica, ele estava trabalhando e não podia ficar com as crianças (ops, mas a mãe também estava trabalhando e mesmo assim ficou com as crianças. Ah táááá).

Não quero fazer mimimi, não é isso. Mãe faz de tudo e mais um pouco sim, segura o rojão, é guerreira, aguenta dois, três, quatro filhos no colo, se necessário! Mas não tem que ser assim, não temos que aplaudir uma situação dessas. Você consegue imaginar o quão difícil deve estar sendo para essa mulher carregar os dois filhos, além da câmera (que não deve ser nada leve), mamadeira AND fazer fotos boas de um jogo de futebol??! No mínimo, está desconfortável!

Não cabe a mim julgar essa cena… até porque uma foto não diz tudo (lembram-se da enxurrada de julgamentos que aquela mãe americana recebeu após ser clicada no aeroporto digitando no celular enquanto o bebê estava dormindo no chão sobre uma mantinha?). Eu só acho que não é bacana a gente achar o máximo uma mãe sobrecarregada! Porque é o que eu vejo (ela pode achar a situação OK, mas a minha leitura da foto é essa). Se fosse um pai no lugar dela (em geral mais forte fisicamente) muito provavelmente teríamos comentários do tipo “ó que paizão” :/

Por trás da polêmica foto existe uma verdade que ainda virá à tona. Talvez ela tenha brigado com o marido no final do dia dizendo “p., custava você ficar com o mais velho, pelo menos?” hahah é o que eu teria feito!

Impossível não lembrar da “mãe multitarefas” agora, com a proximidade das férias escolares! Eu, por exemplo, adoro ficar com meus filhos, mas nas férias é bem puxado, fico sozinha com eles, não tem ninguém para me ajudar em casa durante o dia (#indiretinha) e eles pegam fogo!

Dou conta dos dois nas férias com aquela energia pipocando das 8h às 21h? Tenho que dar, ué! Mas não sou uma supermãe! É preciso lembrar que eu fico cansada, exausta e muito sobrecarregada, porque além de ficar/brincar/cuidar/alimentar/educar as crianças, eu ainda tenho zilhões de coisas para fazer e dar conta.

Eu seria uma supermãe se eu passasse o dia inteiro brincando/cuidando/alimentando/educando as crianças sempre com disposição, sorriso no rosto e jamais com o celular na mão. Se eu SEMPRE seguisse as dicas das psicólogas quando há algum atrito (abaixar para falar, não deixar de castigo, disciplina positiva etc etc). Se todos os dias eles tivessem uma comidinha fresquinha, saudável e nutritiva feito pela mamãe, como os pratos que aparecem no Instagram. Se eu fizesse os passeios mais legais com eles durante as férias. Se eu NUNCA ligasse de eles se sujarem de tinta. Se eu nunca reclamasse da bagunça em casa. Se eu nunca tivesse preguiça de dar banho ou de escovar os dentinhos deles. Se eu nunca “esquecesse” de dar aquela vitamina de uso contínuo. Se mesmo depois de um dia cansativo, eu estivesse esbanjando meu charme às oito da noite com as olheiras devidamente maquiadas. Se eu nunca dormisse de calça de moletom e camiseta velha (e sim uma linda camisola de cetim). Se eu acordasse todos os dias às 7h da manhã brincando e fazendo cócegas nas crianças na cama. Se minha casa fosse todo dia limpa e perfumada. Hahahahahah…Não!

Se um dia você vir uma mãe sobrecarregada, não aplauda. Ofereça ajuda!

Não é fácil, mas também não quero me vitimar, afinal é uma escolha minha. Vem lavar uma louça ou me convidar para almoçar fora (cas criança tudo) que já fica tudo certo!

Mas eu confesso que já tentei ser uma supermãe. No dia de apresentação esportiva e cultural da escola dos meus filhos, calhou que a entrega de faixa do judô do meu filho e a aula aberta de inglês da minha filha caíram no mesmo horário, só que em ambientes diferentes. Eu deveria pensar: tudo bem, meu marido acompanha um dos filhos enquanto eu acompanho o outro. E que bom que tenho essa possibilidade. Mas não. Eu quis acompanhar as duas apresentações ao mesmo tempo. Enquanto a caçula cantarolava e saltitava distraída no inglês, eu saí de fininho e fui até a porta espiar meu filho, que estava na quadra embaixo lutando judô. Resultado totalmente frustrante: enquanto eu dava minha olhadela no mais velho lá da varandinha do primeiro andar para a quadra, a professora me chamou: “A Alice está chorando porque ela percebeu que você não estava lá”.

Fui correndo abraçar a minha filha, tomando consciência da grande besteira que eu fiz com ela. Por alguns minutos minha filha perdeu a confiança e não queria mais me largar, não se sentia mais à vontade de ir dançar com os amiguinhos. Ela me abraçava e eu afirmava que eu não ia mais sair, que eu ficaria só com ela agora. Finalmente eu entendi que se eu estava lá naquela sala, eu devia estar por inteira, pois ela precisava de mim naquele momento. O mais velho não estava desamparado, já que o pai estava cumprindo o seu papel, dividindo comigo a responsabilidade de estar presente em um momento especial do nosso filho. Ou seja, eu bem que podia ter me despido da capa de supermãe e aceitar que uma pessoa não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Definitivamente eu não sou uma supermãe. Eu não quero ser uma supermãe! Não dá certo!

E, gente, ela não existe!