Desabafo

A saúde da mãe sempre para trás e o dia que descobri um nódulo no seio

Tenho certeza que depois que você se tornou mãe, você entendeu o verdadeiro significado de “vida corrida” e “sem tempo para nada”. Os filhos tornam-se a nossa prioridade e ocupam boa parte do nosso tempo, do pensamento e das preocupações (com toda razão, né?). Mas, gente… para os nossos filhos crescerem saudáveis, eles também precisam de uma mãe saudável.  Aquela brincadeira de que “mãe não pode ficar doente” é uma grande verdade.

Depois das visitas frequentes ao obstetra e da enxurrada de exames durante a gravidez, a mulher tende a esquecer da própria saúde depois que o bebê nasce. É totalmente compreensível, afinal, a adaptação para essa nova vida (a vida de mãe) demora um pouco mesmo. Aí quando você começa a se acostumar com a rotina, a licença maternidade chega ao fim e você tem uma nova preocupação: a volta ao trabalho. Isso sem contar com a mudança no relacionamento com o parceiro (que muda, vai!), o cansaço físico, emocional, escolha da creche, além de toooodas as preocupações rotineiras, que não são poucas. E a sua saúde acaba indo lá para o fim da lista de prioridades :/

Para os nossos filhos crescerem saudáveis, eles também precisam de uma mãe saudável.

Para os nossos filhos crescerem saudáveis, eles também precisam de uma mãe saudável. / Photo credit: Thomas Hawk via Visualhunt.com / CC BY-NC

Mas não podemos! Cuidem-se! Seus filhos precisam de você!

Falo por experiência própria. Dei uma sumida na ginecologista depois que a minha caçula, atualmente com 2 anos e meio, nasceu. Após 2 anos, com uma cólica fora do padrão que estava me preocupando, decidi retornar à médica. No final das contas, a cólica não era nada de anormal. Mas ela me pediu alguns exames de rotina e BUM: apareceu um nódulo na mama! Totalmente inesperado! Na verdade eu já estava sentindo um incômodo no seio há um tempo, mas tinha certeza que eram o araminhos do soutien que estavam me machucando. Fazendo o auto exame, eu confundia esse nódulo com os ductos mamários e, assim, dizia para mim mesma que não era nada, que eu estava procurando pelo em ovo. Logo em seguida, me lembrava de alguma coisa urgente que eu precisava fazer e mais uma vez minha saúde ia para o final da lista.

Felizmente, a princípio esse nódulo é benigno (e espero que continue assim). Ele foi classificado no padrão internacional BI-RADS na categoria 3, que quer dizer “nódulo provavelmente benigno, com chance de 2% de ser maligno”, e que pede um controle de mamografia e ultrassom das mamas semestralmente por um período de tempo. Não preciso nem dizer que tudo isso me deixou apavorada, né? Por mais que existam resultados mais preocupantes, preferia que não tivesse nada.

Ainda estou em processo de consultas a mastologistas e exames complementares para assegurar que o nódulo seja realmente benigno e para saber se precisarei operar para retirar, mesmo sendo benigno. Foi um susto (e ainda está sendo), mas serviu para mostrar a importância de nos cuidarmos, de não deixarmos de lado a nossa saúde.

Atualização: leiam a continuação e os detalhes no post “Um susto em minha vida: o resultado da mamografia

Somos mães e nossos filhos precisam da gente!

Vão ao médico regularmente, façam seus exames de rotina, cuidem-se!

Durante esse processo de descoberta do nódulo no meu seio, fiz uma entrevista com o Dr. Paulo Nowak, ginecologista e obstetra, membro da diretoria da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP) sobre os cuidados que a mãe deve ter após o parto. Ele me contou que estudos apontam que quase metade das mulheres não voltam no obstetra! Como eu disse no início do post, super compreensível… mas não dá! Tem que voltar ao médico sim! Clique aqui para ler a entrevista.

Desabafo

O espírito esportivo habita o coração de todas as mães

Estou fazendo aula de tênis há cerca de 2 meses. Eu sou aquela pessoa mais ou menos para as atividades físicas, mas por incentivo do marido, comecei as aulas. Quando estou lá, tudo muda: me dá uma energia positiva, vibrante… sinto a tal endorfina que tanto falam! Eu gosto muito!

Hoje (como em todas as aulas, pois ainda sou iniciante) errei muitas bolas… de esquerda, direita, paralela, cruzada, voleio, saque. Em um certo momento me deu um desânimo pesado, sabe? “Poxa, que saco, tô errando muito, parece que não estou progredindo nada”, pensava. “Por que eu estou aqui jogando tênis? Eu nem sou esportista…”.

Me deu uma vontade de parar a aula no meio, voltar pra casa e desistir de aprender a jogar tênis. A essa altura do campeonato, já tinha incluído nessa vibe vários eventos da minha vida que eu desanimei e desisti, parei no meio. Tudo isso jogando tênis hein gente? Hahaha

E aí me lembrei de uma vez brincando de massinha com meu filho… ele não conseguia fazer o formato que ele queria, a massinha sempre quebrava no meio. Ele ficou bem chateado e falou: “droga, nada do que eu faço dá certo!”.

Aquilo me doeu tanto! Como assim, uma criança de 4 anos me solta uma dessas? De onde ele tirou essa história?? Na hora conversei com ele e expliquei que as coisas dão certo para ele sim. E que se ele não estava conseguindo fazer o formato que ele queria, ele precisava parar, observar e entender por que a massinha quebrava. E aí tentar de novo.

OK, fiz o meu papel, dei aquela injeção de ânimo nele. Mas puxa vida, ainda não tinha engolido aquela frase dita por uma criança tão pequena. Será que ele herdou de mim essa péssima característica de ficar desanimada e desistir quando as coisas não vão bem? Ou será um reflexo de minhas atitudes dentro de casa e que às vezes nem percebo que estou passando para eles? Ou ainda pode não ser nada disso e se tratar apenas de um momento de dramalhão típico de sagitarianos, como meu filho e eu.

E no meio do jogo de tênis, enquanto eu ficava esbaforida e com raiva de ter errado mais uma vez aquela jogada, meu corpo começou a ficar mole, cansado, fraco e aí que eu errava cada vez mais. Tinha perdido totalmente a concentração e a energia.

Então pensei que eu queria muito ter aquele espírito esportivo, de determinação, de garra, de luta, de não desistir mesmo quando se erra. Queria ter aquela fome dos esportistas de virar o jogo, de vencer. Senti falta de algo na vida que me fizesse sentir vencedora…

Photo via Visualhunt

Photo via Visualhunt

Quando eu concluí esse pensamento, me caiu a ficha. A maternidade é tudo isso aí que eu falei acima. E é um projeto – o maior e melhor que já fizemos na vida – impossível de desistir. Uma vez mãe, sempre mãe. Não se volta atrás. E o melhor de tudo: não queremos voltar atrás.

A gente erra. Erra bastante. E vai continuar errando. Mas a gente não desiste de ser mãe. A gente não desiste de educar os nossos filhos, mesmo quando não nos sobra nem um pingo de energia no final do dia. Ou até mesmo no começo (muitas vezes já comecei o dia sem energia e sem paciência).

E foi aí que eu descobri que dentro de mim tem tudo o que eu queria ter: determinação, garra, luta e persistência.

Quando você ficar um pouco desanimada, assim como eu fiquei hoje, quando bater aquela vibe ‘loser’, vou te dar uma dica. Pense no quão forte você é e pode ser. Pense nos primeiros dias e meses com o bebê… e aquele sono que chegava a doer? E o medo de fazer tudo errado? E a preocupação de fazer a pega correta na amamentação? E o sofrimento de mães que viram seus filhos adoecerem tão pequenos? E para quem tem filhos mais velhos, nossa, como é difícil sustentar um “não” para uma criança no auge dos seus terrible two. Como é árdua a simples tarefa de ir ao supermercado com as crias. E o desfralde, caramba! E tem o filho que começa a ficar agressivo, aí leva no psicólogo para entender o que é. A criança que decide que não quer mais comer. As viroses da vida. O casal que está se separando e junto a preocupação com os filhos. E o pai que não paga a pensão. Ou o pai que sumiu do mapa e é tudo com você! A falta de grana. Briga de irmãos. Reuniões na escola.

Tudo isso é de derrubar qualquer um!

A gente, com tudo isso que citei acima e mais um pouco, depois de colocar o(a) filho(a) para dormir, deita a cabeça no travesseiro, dá a última olhadinha naquela foto FOFA do(a) pequeno(a) e… Se arrepende? Desanima? Não, a gente agradece pelos filhos que tem. E de repente vem aquela vontade louca de abraçar e beijar os filhos e dizer o quanto ama aquelas pessoinhas. E promete que será uma mãe melhor amanhã. E amanhã, de fato, você tentará ser uma pessoa melhor.

Eu acho que estou começando a entender esse lance de que os filhos nos tornam pessoas melhores.

Mas voltando à minha aula de tênis – pois foi onde tudo começou. Coincidência ou não, todo esse pensamento me deu um fôlego a mais! Foi até meio propaganda de Olimpíadas hahaha… Passei a encarar as jogadas com muito mais foco. E nas vezes que eu errei – porque eu sei que vou errar mais vezes – tive muito mais gana de melhorar.

Dizem que não existe mãe perfeita. Ah, eu super discordo disso, existe sim… e essa mãe é você! Existem jornalistas melhores do que eu, blogueiras melhores do que eu, profissionais, donas de casa, tenistas iniciantes, faxineiras, motoristas, educadoras, costureiras, cozinheiras, todas melhores do que eu e do que você. Mas mãe mais perfeita do que eu para os meus filhos, não existe. Você é a melhor mãe do mundo para os seus filhos, mesmo com seus erros e seus defeitos.

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Desabafo

Aprendendo a não julgar uma mãe

Me responda sinceramente: você já julgou uma mãe (mesmo que em silêncio) por seu comportamento ou atitude e depois fez exatamente igual? Eu assumo: apontei o dedo algumas vezes sim! :/ Claro que me arrependo! Afinal, o mantra de mãe é “não julgue, não julgue, não julgue”. Cumplicidade é a palavra que nos une!

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Photo credit: wiredforlego via VisualHunt.com / CC BY-NC

O depoimento que vocês lerão abaixo é fantástico! Uma mãe, dois filhos, bagunça no apartamento e vizinhos do andar de baixo. E o resultado você já deve imaginar. Mas o desfecho eu tenho certeza que não faz nem ideia!

Quem conta é a publicitária e produtora de eventos Fernanda Lauer, mãe de Jayminho e Maria, atualmente com 30 e 29 anos. Na ocasião os filhos estavam com 4 e 3 anos.

Essa história me tocou ainda mais porque vivo chamando meu filho de “terrível” (quem o conhece sabe o quão ativo ele é hahah). Mas a Fernanda, com a experiência de quem já viu seus filhos crescerem e amadurecerem, diz que, no caso de seu filho, “se tratava de uma criança extremamente feliz de 4 anos”.

Confiram o relato:

“Assim que me separei, mudei do Rio para São Paulo e fui morar num prédio de 8 andares sendo que cada andar só tinha um apartamento. Resumindo: éramos apenas oito moradores, o que nos torna menos transparente.

Meu filho Jayminho tinha acabado de fazer 4 anos e a Maria 3. Ela tranquila, quietinha, e ele para compensar um trator, lindo, com grandes olhos azuis e cara de anjo, mas só faltava se pendurar no lustre na minha primeira distração.

Um dia recebo uma ligação pelo interfone do morador do andar de baixo que educadamente, mas não muito doce, reclamou dos barulhos que o meu filho fazia no quarto dele, tipo pular da cama, bater bolinhas no chão, pois embaixo era o quarto da filhinha dele de poucos meses.

Delicada e docemente expliquei a ele que se tratava de uma criança extremamente feliz de 4 anos e que seria muito difícil que ele parasse totalmente com estas atividades e brincadeiras, mas que faria o possível para amenizar e completei dizendo que, mesmo com o pouco tempo de experiência que tinha como mãe, as crianças são todas iguais e que não demoraria muito para ele receber uma ligação do morador do andar de baixo falando a mesma coisa.

Rimos educadamente, desligamos e continuamos a viver tranquilamente. Por sorte meu filho com o tempo foi se acalmando e aprendendo a ser feliz com um pouco menos de barulho.

Dois anos se passaram e eu recebo outra ligação do mesmo morador…

… só que desta vez para se desculpar e, com um tom doce, me falar que tinha recebido uma ligação do morador de baixo dele reclamando dos barulhos que a filha fazia.

Rimos do fato e da alegria de podermos dividir uma experiência tão pequena, mas que nos mostrou que filhos são todos iguais, um dia fazem, um dia recebem, e que temos que ser pacientes e dividir as nossas vivências para enfrentarmos a tão árdua e tão linda missão de criar os nossos filhos, as pessoinhas que nos enlouquecem e que nos enchem de tanto amor, orgulho e prazer.

E para sua tranquilidade, o Jayminho se acalmou e ficou uma das crianças mais gentis e agradáveis que já convivi.

Aí dou muito valor ao Ziraldo quando no final do livro “O Menino Maluquinho “ afirma:

‘E foi aí que todo mundo descobriu que ele não tinha sido um menino maluquinho, ele tinha sido era um menino feliz!’”

Crédito: site www.omeninomaluquinho.com.br

Crédito: www.omeninomaluquinho.com.br