Saúde & Alimentação

Dra. Ana Escobar tira dúvidas sobre o leite de vaca no dia a dia das crianças

Leite de vaca faz mal para o bebê? Crianças maiores e adolescentes também precisam tomar leite? Qual leite é mais completo? Neste conteúdo super bacana oferecido pelo movimento Leite Faz Seu Tipo, a médica pediatra Drª Ana Escobar esclarece as principais dúvidas em relação ao leite de vaca na vida dos nossos filhos.

leite de vaca

Photo via Visual hunt

Aqui em casa as minhas crianças – atualmente com 3 e 5 anos – tomam leite de manhã e à noite, antes de dormir. Dou o leite integral de caixinha para eles, mas eu não sabia da importância. Descobri que as gorduras do leite integral ajudam a fazer conexões cerebrais! Mas engana-se quem pensa que o leite só é importante na infância! As pessoas precisam é se perguntar: ‘Para que deixar de tomar leite?’”, responde a Dra. Ana.

Eu só não entendo ainda por que os fabricantes de leite não criaram uma versão de leite de caixinha de 200 ml, como são os suquinhos. Gente, seria ideal para as crianças levarem para a escola no lanche, né?

Bom, confiram as perguntas e respostas sobre o leite com a Dra. Ana Escobar:

Tem gente que diz que não deveríamos beber leite de vaca porque ele não é adequado para humanos. Existe alguma verdade nisso?
Não. O leite é mais um dos alimentos que são extraídos de animais há milhares de anos e não faz mal a quem não tem intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca. “Ele é rico em nutrientes essenciais, e um dos mais importantes deles é o cálcio. Nós, humanos, apenas arranjamos uma maneira de manter o leite na nossa dieta depois do desmame para podermos aproveitar seus nutrientes. O leite traz benefícios em todas as fases da vida. As pessoas precisam é se perguntar: ‘Para que deixar de tomar leite?’”, responde a Dra. Ana.

Após o desmame, os bebês devem ser alimentados com fórmulas ou podem tomar leite de vaca?
Até um ano de idade, o ideal é que o bebê que não mama no peito seja alimentado apenas com fórmula, e não com leite de vaca. “O leite de vaca é, de fato, adequado para o ritmo de crescimento de um bezerro. Por isso, ele tem uma quantidade muito grande de proteína. No primeiro ano de vida, os rins dos bebês ainda estão imaturos e eles não conseguem excretar essa quantidade de proteína. Então o consumo de leite de vaca pode causar uma sobrecarga nos rins”, explica a Dra. Ana. Depois do primeiro ano, portanto, os bebês já podem consumir o leite de vaca normalmente.

Já a fórmula é produzida para se assemelhar ao máximo ao leite humano e pode ser oferecida às crianças até os três anos. “Os fabricantes retiram proteínas para chegar a uma quantidade parecida com a do leite materno. A fórmula só não tem os anticorpos do leite materno, mas seus nutrientes são muito semelhantes, e muitas são bem ricas em ferro”, afirma a médica.

As crianças maiores e os adolescentes também precisam tomar leite?
Segundo a Dra. Ana, o leite é um dos alimentos mais presentes em todos as etapas da nossa vida, especialmente por ser uma excelente fonte de cálcio e de proteínas, essenciais para permitir um bom desenvolvimento dos ossos e dos músculos nessa fase de crescimento. “As crianças precisam de 500 mg de cálcio por dia. Dois copos de leite já provêm isso. Já os adolescentes têm um estirão fantástico. Para isso acontecer, seus ossos precisam ter muito cálcio. Caso contrário, pode-se ter problemas para o resto da vida”, diz a pediatra.

Que tipo de leite tem mais cálcio?
O desnatado oferece mais cálcio do que o integral e o semidesnatado. “Quando se tira a gordura do leite, ele concentra outros nutrientes, por isso o desnatado tem mais cálcio do que o integral. A falta de gordura não influencia na absorção de cálcio. O que é determinante para essa absorção é a vitamina D”, esclarece a Dra. Ana. Em geral, porém, ela considera o leite integral mais rico do que o desnatado. “O leite de vaca integral é o mais completo. As gorduras do leite ajudam a criança a fazer conexões cerebrais. A gente precisa dessa gordura.”

Qual é a diferença entre intolerância e alergia ao leite?
A Dra. Ana Escobar explica que a intolerância é uma má digestão da lactose, um dos carboidratos presentes no leite, enquanto a alergia é uma reação à caseína e às outras proteínas do leite da vaca.

A intolerância é causada pela falta da enzima que digere o leite (a lactase). Quem não tem essa enzima no intestino não consegue quebrar a lactose em açúcares menores. Por isso a lactose acaba sendo digerida por bactérias. Como elas fazem fermentação, produzem gases e ácidos que causam estufamento, flatulência, dores abdominais e diarreia. Para evitar esse desconforto, o intolerante pode tomar leite sem lactose.

No caso da alergia, o leite é digerido normalmente. O problema é que quando suas proteínas caem na corrente sanguínea são consideradas uma ameaça ao corpo. O sistema imunológico, portanto, ativa suas defesas para se proteger das proteínas. Em instantes, o alérgico sente sintomas como urticária, coceira e falta de ar, e pode ter reações perigosas, como o fechamento da glote e o choque anafilático. Por isso, o alérgico não pode tomar leite – e isso vale também para os que não têm lactose. “Existem terapias de dessensibilização, nas quais [com orientação médica] o alérgico vai recebendo ínfimas quantidades de leite até o organismo entender que a caseína não é uma ameaça. A alergia pode regredir. O nosso organismo tem uma capacidade de adaptação enorme.”

Os leites vegetais são uma boa opção para alérgicos e intolerantes?
Sim, pois não têm as proteínas que causam alergia nem lactose. Por isso são uma boa opção para os alérgicos, que não podem tomar nenhum tipo de leite. Já os intolerantes podem tomar a versão sem lactose. “As bebidas à base de vegetais não deveriam ser chamadas de leite, porque não têm cálcio e têm níveis baixos dos nutrientes que o leite tem”, afirma a Dra. Ana.

Por que o leite de caixinha não estraga? Ele tem aditivos?
O leite de caixinha não tem nenhum aditivo. “Ele não estraga porque é pasteurizado”, explica a Dra. Ana. “O que faz o leite estragar são as bactérias, e elas estão no ar. Elas fermentam e digerem o leite. Para o leite durar, portanto, é preciso matar essas bactérias. Antigamente a gente fervia o leite. Hoje, a indústria faz a pasteurização, que eleva o leite a altas temperaturas por alguns segundos e elimina todas as bactérias. Isso não desnatura as proteínas nem prejudica o leite. Depois disso, ele é envasado em uma caixinha totalmente esterilizada. Por isso, só vai estragar depois que for aberto.”

Para saber mais, visitem o site http://www.leitefazseutipo.com.br/

 

Eventos

Evento: Primeiros 1000 dias com Dra. Ana Escobar

Estive presente no evento de lançamento do portal www.primeiros1000dias.com.br, uma iniciativa da Danone Early Life Nutrition que, junto com outras instituições, busca a conscientização sobre a importância do cuidado com a saúde no início da vida, com o objetivo de melhorar o cenário da saúde pública no país.

Os primeiros 1000 dias de vida vão desde a concepção até o segundo ano de idade da criança

www.primeiros1000dias.com.br

www.primeiros1000dias.com.br

O evento contou com uma palestra especial da Dra. Ana Escobar, Doutora e Livre Docente do Departamento de Pediatria da FMUSP e consultora do programa Bem Estar, da Rede Globo, além de outros parceiros desta iniciativa. Na palestra, a Dra. Ana Escobar explicou como os cuidados nesses primeiros momentos da vida são essenciais para a saúde da criança – desde a alimentação adequada da gestante até o ambiente onde a criança é criada.

dra ana escobar

No portal www.primeiros1000dias.com.br dá para encontrar muitas dicas baseadas em estudos científicos sobre saúde, nutrição e desenvolvimento nesses primeiros anos do bebê, que são mágicos!

E eu, claro, fiquei super feliz em participar do lançamento deste projeto. Desde o dia que descobri minha primeira gravidez, não me canso de ir atrás de informações e conteúdo materno… portanto, a minha maior satisfação é poder compartilhar todo o conhecimento que chega até mim! 😉