Comportamento

Entrevista Jornal da Cultura: quando as crianças ajudam em casa

Nesta semana a equipe do Jornal da Cultura veio em casa para gravar uma reportagem sobre a importância de incluir pequenas tarefas e responsabilidades no cotidiano das crianças, sempre respeitando as limitações de cada idade.

Inserir atividades domésticas no dia a dia dos filhos faz nossos pequenos entenderem o funcionamento de uma casa e, acima de tudo, os coloca como participantes e não como meros espectadores. Essa atitude vai ajudá-los a desenvolver autonomia, independência e confiança.

Eu amei participar e, inclusive, foi a segunda vez que dei meu depoimento sobre maternidade na TV.

Espero que vocês gostem da reportagem!

P.S. Sim, erraram meu nome e colocaram “Cátia Nogueira” rs Tudo bem, pelo menos o Cátia foi com C e ainda com acento (hihihi)

Entrevistas

Cuidados com a saúde após o parto: entrevista com Dr. Paulo Nowak, da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo

No post anterior, falei sobre como é fácil as mães se esquecerem da própria saúde por conta da nova rotina na maternidade e contei sobre a descoberta de um nódulo no meu seio. É muita correria e a gente acaba deixando nossa saúde para trás, eu sei! Mas repito: nossos filhos precisam da gente… então cuidem-se!

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nossos filhos precisam da gente… então cuidem-se! / Photo via Visual Hunt

Em entrevista com o Dr. Paulo Nowak, membro da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP), descobri que existem estudos que mostram que quase metade das mulheres não voltam no obstetra após o parto.

Além da recuperação da mulher após o parto e identificar o melhor método contraconceptivo para o período, o retorno no obstetra também pode ajudar a identificar os sintomas da depressão pós-parto. O Dr. Paulo Nowak indica que a mãe deve voltar ao médico em 10 dias, 40 dias e 6 meses depois do nascimento do bebê.

Confiram a entrevista:

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“Após a consulta de 10 dias, normalmente a paciente retorna ao médico 40 dias e 6 meses pós-parto. Na consulta de 40 dias o obstetra vai avaliar se a paciente pode retornar a sua rotina” / Photo via Visualhunt

Depois do nascimento dos filhos é comum as mulheres deixarem a própria saúde de lado e não voltarem ao consultório?
A rotina exaustiva de cuidados com o bebe no período pós-parto pode fazer a mãe esquecer da sua própria saúde. Existem estudos que mostram que quase metade das mulheres não voltam no obstetra. A primeira consulta deve ser realizada cerca de 10 dias após o parto. Nesse momento o médico vai avaliar a recuperação após o parto, checar se existe algum sangramento acima do normal, se o útero está voltando ao seu tamanho, retirar pontos se necessário, checar como estão as mamas e ajudar na amamentação. Além disso é um momento importante para avaliar como está a saúde mental da mãe, e se ela não está sobrecarregada com os cuidados com o bebê e necessitando de ajuda.

O médico obstetra também pode ajudar a paciente a identificar a depressão pós-parto?
A depressão pós-parto costuma acontecer após as 2 primeiras semanas. Antes desse período é muito frequente que a mulher se sinta triste, chore com facilidade e fique mais emotiva. É uma fase conhecida como baby blues, e se não houver melhora desses sintomas após as duas semanas podemos estar frente a um quadro depressivo. O obstetra é o profissional que está acostumado a identificar os sintomas e ajudar no tratamento da depressão pós-parto.

Quais os exames que a mulher precisa fazer logo após o parto e quando eles devem ser feitos?
Se a gravidez e o parto transcorreram de forma normal, sem doenças associadas, não serão necessários exames laboratoriais nessa fase. A consulta médica e exame clínico adequado vão identificar se existe a necessidade de alguma pesquisa especifica para complicações que podem acontecer nesse período, como anemia, trombose e infecções.

Quando a paciente não tem nenhuma queixa emergencial, qual o intervalo ideal para fazer uma consulta de rotina com o ginecologista?
Após a consulta de 10 dias, normalmente a paciente retorna ao médico 40 dias e 6 meses pós-parto. Na consulta de 40 dias o obstetra vai avaliar se a paciente pode retornar a sua rotina, se ela ainda tem restrições para atividade física, e se ela pode sair do resguardo. Também nesse momento se avalia a melhor opção de anticoncepção, lembrando que durante a amamentação existem restrições a alguns métodos contraceptivos.

E quais são os exames considerados de rotina para fazer nesses retornos ao médico? Que doenças podemos prevenir ou diagnosticar com antecedência se fizermos esses exames?
Após 6 meses, a consulta vai ser ginecológica. A paciente volta a fazer seus exames de rotina de acordo com sua faixa etária, como Papanicolau, rotina de sangue e exames de imagem que forem necessários. Se ela tem doenças crônicas também é uma boa hora para avaliar se o tratamento está adequado ou se são necessários novos exames e alterações na medicação.

Comportamento

Ciúmes entre irmãos: quando o caçula chega para completar a família

Ter irmãos em casa é uma benção! Um amor puro, verdadeiro e que vai durar para sempre! Cada vez que vejo meus filhos se abraçando, cuidando um do outro e se divertindo juntos, me dá uma alegria enorme!

Mas nada é fácil, né? Quando a Alice chegou, fiquei muito preocupada em como eu iria cuidar de uma recém-nascida e ao mesmo tempo dar atenção para o Teodoro, que ainda tinha 2 anos… era praticamente um bebê! Li bastante sobre o assunto em blogs de maternidade na época (o Todas as Mães não existia) … me ajudaram bastante! E agora eu também quero ajudar outras mães que, assim como eu, procuraram ajuda na rede.

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As crianças adoram ajudar e participar, elas sentem a importância da colaboração! / Photo via VisualHunt.com

Fiz uma entrevista com a psicóloga Francys De Thommazo sobre ciúme entre irmãos, em especial com a chegada da(o) irmã(o) mais nova(o). Ela diz que esse sentimento acontece, principalmente, entre os pequenos de três a seis anos. “É natural que o filho mais velho apresente demonstrações de ciúme, ressentimento, raiva e sentir-se ameaçado e até ter comportamentos de regressão como fazer xixi na cama para chamar atenção dos pais”, explica.

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O filho mais velho sempre ao lado da irmã

Aqui em casa não tivemos raiva nem regressões (ufa). Inclusive passamos por duas provas de fogo: a Alice nasceu em fevereiro, exatamente na semana de volta às aulas do Teodoro (tenso). E dois meses depois, começamos, junto com a escola, o desfralde dele. Foram meses de adaptação a uma nova família que estava se formando. Nos finais de semana o marido saía bastante com o mais velho para brincar na rua, em parquinhos e praças. Aquele momento era dele! Em casa eu sempre o chamava para participar das atividades da Alice: desde trocar a fralda até amamentar – ele estava sempre do lado! Pedia ajuda sempre que possível, respeitando as limitações da idade (“filho, me ajuda aqui, por favor, me traga o shampoo para lavar o cabelinho da sua irmã” ou “filho, por favor, jogue a fralda no lixo”). As crianças adoram ajudar e participar, elas sentem a importância da colaboração! Portanto, pedir ajuda ao filho mais velho não será um problema.

Segundo a psicóloga Francys De Thommazo, o filho mais velho pode começar a participar da vida do irmão antes mesmo do nascimento: “Pedir a ajuda e a participação do filho mais velho para a decoração do quartinho da criança, participar da compra do enxoval e tudo que tem relação com a chegada do irmão. Assim, quando tiver o encontro não será tanta novidade e ocorrerá normalmente sem ansiedade”, afirma.

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“Antes do encontro entre os irmãos é preciso uma preparação emocional com o filho mais velho” – Francys De Thommazo. / Photo via VisualHunt

Confiram a entrevista com a psicóloga Francys De Thommazo:

O que a mãe, que vai ganhar o(a) segundo(a) filho(a), deve preparar para o encontro dos irmãos? 
Antes do encontro entre os irmãos é preciso uma preparação emocional com o filho mais velho. Primeiro explicar como será a rotina da casa, o cuidado com o bebê e, principalmente, que este cuidado é necessário devido às limitações do bebê. Explicar de forma lúdica e muito clara, para que o filho mais velho não entenda como estar sendo deixado de lado e perdeu a importância. Pedir a ajuda e a participação do filho mais velho para a decoração do quartinho da criança, participar da compra do enxoval e tudo que tem relação com a chegada do irmão. Assim, quando tiver o encontro não será tanta novidade e ocorrerá normalmente sem ansiedade.

No meu caso, quando minha caçula nasceu, comprei um presente para o mais velho, de 2 anos, e disse que a irmã que tinha trazido do papai do céu. Só que essa história para crianças mais velhas não cola mais. O que fazer para o irmão mais velho sentir-se especial também neste momento?
Neste momento é muito importante explicar para a criança, para não gerar frustrações, que ela também é especial e que quando as pessoas visitam o bebê recém-nascido é normal trazer um presente ao bebê, porque o bebezinho acabou de nascer e as pessoas ainda não o conhecem. Antes da primeira visita é muito importante os pais darem um presente simbólico ao filho mais velho dizendo que é a comemoração da chegada do irmão, e falar sobre a felicidade de ter dois filhos. Esta dica não é uma receita a ser seguida à risca. Mas usar a criatividade para o filho mais velho se sentir especial é muito importante.

E na nova rotina, com o bebezinho em casa, que precisa de muitos cuidados e atenção, o que fazer para o primogênito não ficar enciumado e nem se sentir de escanteio?
Deixar que o filho mais velho participe das atividades diárias para se sentirem importantes. E é importante o pai e a mãe arrumarem um tempo somente com o filho mais velho, para, por exemplo, realizar alguma brincadeira, assistir um desenho juntos.

Outras dicas da psicóloga para lidar com o ciúme entre irmãos:

  • Maneirar nos castigos – pois fazer coisas erradas pode ser uma forma de chamar a atenção, e colocar de castigo de imediato pode reforçar o problema. O Ideal é conversar e explicar o porquê das coisas;
  • Reservar um momento somente com o mais velho tanto o pai quanto a mãe para alguma atividade, seja uma brincadeira específica que a criança goste, para sentir-se amada e ver que a família também lhe dá atenção;
  • Dê responsabilidades para que a criança sinta-se importante, mas sem exagero. Converse muito – Explicar, explicar e explicar;
  • Enxergar tudo como algo natural – dizer que ama os dois e sempre frisar que os dois são amigos.

E você, tem alguma dica para controlar o ciúme dos irmãos? Compartilhe com a gente, me conte como você fez para driblar o ciúme e ajude outras mães também! 😉