Desabafo

Um livro, um filho imaginário e hoje, 17 anos depois

Era o ano de 2001. Eu, recém formada em jornalismo e atuando na área havia um tempinho – e já produzindo conteúdo para a internet. Trabalhava como redatora freelancer no site Clubinho Net, um site infantil criado para os filhos dos assinantes da NET.

Eu tinha 23 anos e não tinha namorado, filhos e muito menos amigas com filhos. Nem pensava naquela época em formar uma família, eu estava curtindo outro momento. Fase de trabalho, bastante trabalho e amigos.

Eu amava esse meu trabalho voltado para as crianças (tanto que fiquei até o fim da vida do Clubinho). Entre as diversas áreas que escrevia para o site, uma delas era sobre as novidades literárias para os pequenos. Dicas de livros! As assessorias de imprensa das editoras me enviavam alguns exemplares para eu conhecer, resenhar etc.

Todos os livros infantis que eu recebia das editoras (lia todos!) eram levados mais tarde para doação. Só que um deles, e APENAS um, eu me apeguei. Sem explicação nenhuma, não tive coragem de doar.

Era o livro “O ABZ do Ziraldo”, da Melhoramentos. É um livro com textos, poemas e ilustrações do Ziraldo que gira em torno das letras. Cada letra é um capítulo. Para cada letra do alfabeto, um texto. Esse livro é tão legal, tão completo, tão poético, lúdico e colorido, que resolvi guardar. Guardar pros meus futuros filhos que sabe-se lá quando eu os teria. Pensei: “Ah vou guardar!! Vai que um dia eu tenha filhos!” (Até hoje eu não entendo, porque eu realmente estava muito longe de alguma possibilidade de ter filhos na época hahah)

Mudei de casa algumas vezes. E o livro ali, sempre separado para o meu futuro filho. Não tenho apego material, muitas vezes gosto de fazer a rapa aqui em casa e doar tudo, me desfazer do velho, abrir espaço. Livros? Eu conto em 1 mão os livros que tenho. Passo tudo pra frente. Mas esse livro nunca.

Hoje eu estou beirando os 40 anos e tenho 2 lindos filhos: 6 e 4 anos. E 17 anos depois de receber esse livro, finalmente o dia que eu tanto profetizei chegou!

O mais velho, o Teodoro, no primeiro ano do ensino fundamental, em plena fase de alfabetização, conheceu “O ABZ do Ziraldo” e reconheceu as letras, se interessou pelos poemas que ali estavam. Quantas vezes eu folheei esse livro imaginando esse dia, o dia que eu me sentaria ao lado do meu filho (até então imaginário) contando uma historinha sobre cada letrinha. Foi realmente muito emocionante o dia que sentei com os dois filhos e li as poesias do Ziraldo para eles!

Voem, meus filhos, voem! O processo de alfabetização é a coisa mais linda de se ver numa criança. A descoberta da junção das letras, o som das sílabas, a alegria de saber que conseguiu ler uma palavra! É um universo que está à tua espera!!! Saboreiem cada palavrinha nova que aprender porque elas são mágicas!

E você, já guardou algum objeto para mostrar para os seus filhos antes mesmo de tê-los?

Leia também:

Como escolher o livro ideal para bebês

Como montar um cantinho da leitura na sua casa

 

Desabafo

Reflexões: A alegria nos visita em momentos comuns

Parar para valorizar os pequenos detalhes da vida podem te deixar mais alegres do que grandes acontecimentos (esses que quase nunca chegam!)

hoje sera um dia bom

No meu perfil do Instagram soltei lá no stories o trecho de um livro que estou lendo “A coragem de ser imperfeito”, de Brené Brown. Destaquei a parte que diz: “A alegria nos visita em momentos comuns. Não corra o risco de deixar a alegria passar desapercebida mantendo-se ocupado demais perseguindo o extraordinário”.

a coragem de ser imperfeito

Andei refletindo tanto sobre essa frase e notei que esses momentos pequenos de alegrias estavam passando desapercebidos por mim. Tem uma frase atribuída a Mahatma Gandhi que gosto muito:

“Não existe caminho para a felicidade… A felicidade é o caminho”

Foi no instagram também que eu contei que finalmente colocamos uma mesa de refeições na sala. Até então, comíamos cada um em uma mesinha de apoio sentados no sofá, cada um com seu horário, de acordo com sua correria. Começou o ano e quis fazer diferente: fazer as refeições em família, com todos sentados na mesa! Não tenho muito espaço na sala e por isso quebrei a cabeça para ajeitar a configuração dos móveis. Enfim, aperta daqui, aperta dali e coube uma mesa redonda no canto (a mesa redonda ocupa menos espaço).

Finalmente, uma mesa para tomarmos café da manhã, almoçar e jantar!

Finalmente, uma mesa para tomarmos café da manhã, almoçar e jantar!

Tá, mas o que o título, o livro e uma mesa têm a ver um com o outro?

É que neste final de semana fizemos o nosso primeiro café da manhã em família… Até registrei (#aloucadafoto). Uma cena tão cotidiana, tão simples, mas que me deixou tão grata e alegre! Tão bom notar a felicidades nas pequenas coisas!

Essa nova rotina vem com algumas regrinhas: sem TV, sem tablet, sem celular. É um momento nosso, um momento para a gente desconectar do mundo e estarmos presentes no aqui e agora. Prestar atenção no que estamos vivendo no momento e aceitar as emoções fluírem (O Mindfulness ajuda bastante na busca pela atenção no momento presente. Leiam o post que fiz sobre Mindfulness)

Dá para sentir tudo isso com o celular do lado? Não mesmo!

E o livro “A coragem de ser imperfeito” diz que conseguimos nos permitir ser alegres quando aceitamos a nossa imperfeição, a nossa vulnerabilidade diante dos problemas. Um tapa na cara, né?

Você já parou pra pensar nas pequenas coisas que te deixam alegre? Nem tudo nem ninguém precisa ser perfeito para nos dar alegria, já pensou nisso? Que tal dar mais valor às cenas mais cotidianas da vida?

Leia também:

Mindulfness: saiba como a meditação pode ajudar as mães

Reflexões: eu sou feliz e sei!

Comportamento

Guest post – Como escolher o livro ideal para bebês

Em homenagem ao Dia Nacional do Livro, comemorado no dia 29 de outubro, vou publicar um guest post preparado pela equipe do Blog da Leiturinha, que consultou as especialistas que selecionam os livros enviados pela Leiturinha (clube de assinaturas de livros infantis) para entender quais são os elementos cruciais na hora de escolher um livro ideal para bebês. Confiram!

como escolher o livro ideal para bebês

Foto: pexels.com

Por Blog da Leiturinha

A importância dos livros na vida dos bebês
Costuma-se dizer que os primeiros anos de vida são aqueles que mais desenvolvemos.
Nos dois primeiros anos, as estruturas cerebrais ainda estão sendo formadas e os
estímulos vindos dos livros, são de extrema importância nesta fase. Ao mesmo tempo que
a leitura entretém o bebê por meio da contação, das imagens e, algumas vezes, do
formato do livro, ela também cria um ambiente rico em estímulos. Ouvir a voz cadenciada
de quem conta a história, se torna um ritual prazeroso tanto para o cuidador, quanto para
bebê, fortalecendo o vínculo entre eles.

Quais os livros mais adequados para bebês?
Que tal todos? A realidade é que um livro adequado está relacionado à forma como a
mediação da leitura é feita. Para quando o próprio bebê vai manusear o livro, alguns
detalhes devem ser levados em consideração:

No primeiro ano, os livros com contrastes em preto e branco prendem a atenção. Ainda
nos primeiros meses, a visão dos bebês é limitada e precisa ser estimulada, por isso,
ilustrações em preto e branco, com pequenos contrastes com uma única cor, fazem muito
sentido. Os livros de pano também são efetivos, eles podem ser adotados como objetos
de transição. Geralmente, os pequenos gostam de ter por perto objetos que diminuam a
ansiedade quando sua figura de referência se ausenta, estes são os chamados objetos de
transição. Nesta fase, a leitura deve ser entoada, acentuando as palavras unida às
imagens.

A partir dos 2 anos, os livros brinquedos, fantoches e texturas, são ainda mais efetivos. Os
pequenos já começam a se interessar por brincadeiras com uma certa organização, por
isso, o livro dar os estímulos para sequenciar a diversão. O gênero textual ainda não influi
muito na assimilação pela criança, a cadência da leitura e a forma de mediação são os
determinantes neste momento.

Como ler com o meu bebê?
Não importa se o livro é de poesia, conto ou uma história completa – o segredo da leitura para bebês está na voz e na interação. Para isso, não existe certo ou errado, tudo depende da forma em que a relação é estabelecida entre mãe/pai ou cuidador e o bebê.

Caso exista alguma dificuldade por parte do cuidador em mediar a história, uma dica é
começar com cantigas populares – elas são fáceis de cantar e contar e os bebês
interagem facilmente com elas.

Os estímulos visuais também são muito importantes. A visão dos bebês deve ser muito
estimulada nos primeiros meses de vida, por isso, aponte as ilustrações e deixe-as ao
alcance do campo de visão do seu bebê, isto é, entre 20-25 cm de distância dos seus
olhinhos. Em relação aos livros de pano ou banho, é propício conduzir a interação por
meio do tato do bebê também, isto significa que você deverá favorecer que seu bebê
toque e sinta os livrinhos. Assim, ele se apropriará ainda mais do seu objeto de leitura. A
realidade é que o momento de leitura com o bebê vai muito além do material do livro ou do
gênero literário escolhido. Este deve ser um momento especial recheado de interação,
afeto e cuidado. Portanto, o principal segredo é: muita dedicação e amor!

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