Desabafo

Férias escolares, crianças felizes e uma ida ao supermercado

Eu estava no supermercado com os dois filhos, que não, não se comportaram como o combinado! Fizeram bagunça, barulho, riram alto pra caramba, correram, mexeram nos produtos, derrubaram os produtos… Tudo isso com milhões de “parem; chega; óóó; aí não; vai se machucar; vai machucar alguém; agora chega!!!!!” da mãe aqui.

foto: pexels.com

Em meia hora de mercado, 3 (sim, TRÊS) pessoas me abordaram. Duas foram muito empáticas sorrindo pra mim e falando “férias né? Criança é assim mesmo”. A terceira eu ainda estou tentando definir se foi empatia, solidariedade ou dó ;). Ela falou: “nossa, eu to vendo você com 2 crianças pequenas (tenho certeza que ela ocultou algum adjetivo por educação) e você no mercado sozinha com eles. BOA SORTE”. Eu juro que ela falou isso. Ou seja, imaginem o nível hardcore da zueira no super pra algum desconhecido te desejar boa sorte com os próprios filhos!!

E o medo de encontrar alguém conhecido? A mãe que não dá conta da bagunça dos filhos de férias no mercado! Hahahha (tô rindo, mas é de nervoso).

Mas eles estavam tão tão felizes que me contagiou, não consegui cortar o barato! Estávamos no corredor dos iogurtes e eles pareciam ensandecidos! Bora aplicar a disciplina positiva!! Chamei os dois pra perto de mim pra não perder meu lugar na fila do pão (rs). Segurei-os carinhosamente pelo braço, me abaixei e fiquei na altura dos olhos deles. Falei: “gente, eu entendo que vocês querem extravasar, mas essa bagunça não tá legal….”. Olhei dentro dos olhos do Teodoro, o líder nato da bagunça, que fazia “sim” com a cabeça e ao mesmo tempo um esforço enorme pra não rir. Sabe quando a pessoa começa rindo com os olhos e a risada vai tomando conta de todo o rosto até chegar na boca e fazer um biquinho e soltar aquele barulhão?

HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAH

Foi assim que muito espontaneamente nós os três caímos na gargalhada!!

– “Você também tá rindo, mãe!” disse a Alice toda alegre pra se livrar da culpa!

Não me aguentei, caí na risada com esses dois! Porque por mais cansativo que seja ficar o tempo integral com as crianças nas férias (além de cuidar da rotina de casa), eu estou me divertindo muito com eles! É muito gostoso essa cumplicidade diária, essas risadas fora de hora, esse “deixa pra lá, estão de férias”.

Tudo bem que minha bateria está arriando…Fico bem mais exausta do que o normal, a bagunça em casa  está fora dos limites e estou cheia de pendências. Mas feliz e plena com a maternidade…Feliz de estar fazendo meus filhos felizes com coisas simples e cotidianas da vida como uma simples ida ao supermercado!

Tem um trecho do livro “A coragem de ser imperfeito“, de Brené Brown, que diz assim: “A alegria nos visita em momentos comuns. Não corra o risco de deixar a alegria passar desapercebida mantendo-se ocupado demais perseguindo o extraordinário”. Se encaixa perfeitamente nesse nosso dia a dia mega agitado como mãe, não é?

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Desabafo

Um livro, um filho imaginário e hoje, 17 anos depois

Era o ano de 2001. Eu, recém formada em jornalismo e atuando na área havia um tempinho – e já produzindo conteúdo para a internet. Trabalhava como redatora freelancer no site Clubinho Net, um site infantil criado para os filhos dos assinantes da NET.

Eu tinha 23 anos e não tinha namorado, filhos e muito menos amigas com filhos. Nem pensava naquela época em formar uma família, eu estava curtindo outro momento. Fase de trabalho, bastante trabalho e amigos.

Eu amava esse meu trabalho voltado para as crianças (tanto que fiquei até o fim da vida do Clubinho). Entre as diversas áreas que escrevia para o site, uma delas era sobre as novidades literárias para os pequenos. Dicas de livros! As assessorias de imprensa das editoras me enviavam alguns exemplares para eu conhecer, resenhar etc.

Todos os livros infantis que eu recebia das editoras (lia todos!) eram levados mais tarde para doação. Só que um deles, e APENAS um, eu me apeguei. Sem explicação nenhuma, não tive coragem de doar.

Era o livro “O ABZ do Ziraldo”, da Melhoramentos. É um livro com textos, poemas e ilustrações do Ziraldo que gira em torno das letras. Cada letra é um capítulo. Para cada letra do alfabeto, um texto. Esse livro é tão legal, tão completo, tão poético, lúdico e colorido, que resolvi guardar. Guardar pros meus futuros filhos que sabe-se lá quando eu os teria. Pensei: “Ah vou guardar!! Vai que um dia eu tenha filhos!” (Até hoje eu não entendo, porque eu realmente estava muito longe de alguma possibilidade de ter filhos na época hahah)

Mudei de casa algumas vezes. E o livro ali, sempre separado para o meu futuro filho. Não tenho apego material, muitas vezes gosto de fazer a rapa aqui em casa e doar tudo, me desfazer do velho, abrir espaço. Livros? Eu conto em 1 mão os livros que tenho. Passo tudo pra frente. Mas esse livro nunca.

Hoje eu estou beirando os 40 anos e tenho 2 lindos filhos: 6 e 4 anos. E 17 anos depois de receber esse livro, finalmente o dia que eu tanto profetizei chegou!

O mais velho, o Teodoro, no primeiro ano do ensino fundamental, em plena fase de alfabetização, conheceu “O ABZ do Ziraldo” e reconheceu as letras, se interessou pelos poemas que ali estavam. Quantas vezes eu folheei esse livro imaginando esse dia, o dia que eu me sentaria ao lado do meu filho (até então imaginário) contando uma historinha sobre cada letrinha. Foi realmente muito emocionante o dia que sentei com os dois filhos e li as poesias do Ziraldo para eles!

Voem, meus filhos, voem! O processo de alfabetização é a coisa mais linda de se ver numa criança. A descoberta da junção das letras, o som das sílabas, a alegria de saber que conseguiu ler uma palavra! É um universo que está à tua espera!!! Saboreiem cada palavrinha nova que aprender porque elas são mágicas!

E você, já guardou algum objeto para mostrar para os seus filhos antes mesmo de tê-los?

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Desabafo

A tentativa de uma mãe em querer segurar o tempo (sobre a brevidade)

Sabe aquela vez que você estava no supermercado no meio do terrible two do seu filho, te deixando maluca com tanta birra e de repente aparece uma pessoa desconhecida e fala: “aproveitava que passa rápido”.

Pois é….passou! Dei um suspiro e o Teodoro completará 7 anos em 2018. SE-TE! Meu Deus, os primeiros anos de maternidade foram realmente muito difíceis, principalmente por ter dois filhos com apenas 2 anos de diferença. Mas de repente o tempo começou a voar e escapar das minhas mãos como se fosse areia! Daqui a pouco, sei lá, vou dar outro suspiro e ele estará trabalhando, saindo de casa (pausa para engolir seco).

Ontem estava cantando para os dois dormirem, uma das poucas (poucas não, raríssimas) canções que eu sei de cor: Aquarela, do Toquinho, em parceria com Vinicius de Moraes. Gosto dessa música porque ela é longa e dá pra viajar muito na letra dela. Enfim, estava cantando e, já com os dois adormecidos, cantei os últimos versos e inevitavelmente lágrimas rolaram dos meus olhos…:

Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela que um dia, enfim
Descolorirá

(ops, chorei um pouquinho de novo)

Eu não sei se existe uma análise oficial da letra, mas na minha interpretação levando em consideração toda a letra, o “descolorirá” pode significar o fim da infância, mas já li que tem a ver com a brevidade da vida.

Por um lado, é bom ter essa percepção assustada do tempo. Nos faz querer ficar mais tempo abraçados, dormindo junto, enchendo de beijos, fazendo cafuné, beijinho no dodói, pegando no colo. Todos os dias, quando os dois acordam, pego-os no colo e dou aquele abraço apertado, como em uma tentativa desesperada de uma mãe que quer segurar o tempo. Só solto quando eles se afastam.

A Alice está com 4 anos e ainda tem que um “quê” de bebezinha da mamãe, cheia de dengos, chorinhos mimados e com todos dentes de leite (rs quem tem um filho banguela sabe o que significa cada dente caído nessa corrida do tempo). O Teodoro tem seus momentos de dengo, pede pra dormir com a gente (e dorme), mas já tem uma certa vergoinha quando tasco-lhe um beijo na bochecha na frente dos amigos da escola!

Mas essa é a doideira da maternidade né? Como diz o Toquinho:

“E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar

Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar”

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