Comportamento

Passeios escolares na educação infantil: você já autorizou?

Para algumas mães, passeios escolares são sinônimo de preocupação e ansiedade

Photo credit: anna carol via VisualHunt / CC BY

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Logo que minha filha Alice entrou na escolinha, em 2015, participei de uma reunião de pais e professores sobre o ano letivo daquela turminha. Eis que um pai, visivelmente empolgado, pergunta para a orientadora quando as crianças participariam de um passeio fora da escola. Meu corpo gelou, senti uma tremedeira e engoli seco. Como assim, passeio? Mas jááá?? Ela estava com 2 anos…

A impressão é que todo mundo saberia lidar tranquilamente com esse assunto, menos eu. Até o dia que o comunicado do passeio escolar chegou pela agenda. Eu tinha que tomar uma decisão! E aí? Deixar ou não deixar?

Descobri que eu não era a única que se sentia insegura. O que me ajudou bastante na ocasião foi deixar a vergonha de lado, ligar para a escola e fazer toooodas as dezenas de perguntas que rondavam a minha cabeça. É importantíssimo que os pais se sintam seguros e confortáveis, até mesmo para passar esse sentimento para a criança. Minha dica é que você exponha para a escola quais são suas dúvidas, angústias e receios. Por mais absurdo que pareça, não tenha vergonha de perguntar!  A escola – não se esqueça – é a sua aliada!

E para ajudar outras mães que também perdem o sono quando o assunto é passeio escolar, conversei com duas educadoras sobre a importância das vivências fora da escola e quais os cuidados que devemos ter na hora de autorizar o passeio.

Katarina Bergami, coordenadora educacional da Faces Bilíngue, escola sócio-construtivista situada no bairro de Higienópolis, destaca alguns itens que os pais devem checar junto à coordenação da escola: “Deve-se levar em consideração o objetivo do passeio, se há infraestrutura apropriada no local, se o local é seguro, se o transporte é seguro e apropriado, se a equipe que acompanha as crianças é suficiente para garantir a segurança e os cuidados necessários”.

Patricia Caram Miranda, diretora e orientadora educacional da Escola Meu Castelinho, acredita que essa experiência fora da escola é tão rica para a criança, quanto para os pais, pois temos que lidar com nossos medos e receios. A escola, localizada em Pinheiros, realiza passeios e estudos do meio para alunos com idade a partir de 2 anos “Os pais devem se informar muito bem sobre o lugar onde será o passeio, refletir sobre o quanto a experiência poderá agregar, consultar a intuição e decidir se estão prontos e seguros para proporcionarem para si e seus filhos esta experiência. Claro, uma certa insegurança faz parte no primeiro passeio do filho, mas ela deve ser em uma dose saudável e suportável. Cada um deve saber o seu limite e respeitar o seu tempo”, afirma.

É interessante compreender que o passeio em si não diz respeito apenas ao destino final – o museu, o teatro, o parque. Toda a experiência da saída da escola pode ser benéfica ao aluno. “Envolve desde o meio de transporte até a vivência do lugar onde irão. Apenas a experiência de sair da escola e fazer um passeio já traz para o aluno a oportunidade de se ‘ver’ longe dos pais e ‘dar conta’, desenvolvendo autonomia, independência e autoconfiança”, explica Patricia Caram. “Geralmente escolhemos locais que agregarão para os alunos experiências e vivências pertinentes à faixa etária, que geralmente relacionam aquilo que aprendem dentro da escola, servindo também de ferramenta de aprendizagem. Na escolha dos lugares para se passear, a equipe também considera as linguagens das crianças e quais as probabilidades de ampliação de repertório linguístico e cultural”, completa.

Segundo Katarina Bergami, da Faces Bilíngue, tudo o que a criança pode observar, traz uma experiência.

Segundo Katarina Bergami, da Faces Bilíngue, tudo o que a criança pode observar, traz uma experiência.

Katarina Bergami, da Faces Bilíngue, destaca o estímulo à exploração e à observação nos passeios escolares: “Tudo o que ela pode observar, traz uma experiência, um estímulo, um interesse diferente sobre um assunto específico. E se considerarmos apenas o fato de estarem em um lugar diferente, que não conhecem, já os estimula à observação de tudo à sua volta – o que sempre é benéfico. A vontade de explorar aparece imediatamente”.

E o que eu decidi sobre o passeio escolar da filha citado logo no início deste texto? Não deve ser levado em conta aqui, pois sempre será uma decisão muito pessoal, de cada família e que diz respeito a cada filho.

Acredito que o mais importante é você entender a proposta da escola, tirar todas as dúvidas para sentir-se confiante e respeitar a sua decisão, seja ela qual for.

“Na hora de autorizar os seus filhos, os pais devem levar em consideração a experiência que proporcionarão para eles versus a escuta do próprio coração, no sentido de consultarem para saber se a família toda está preparada para tal desafio. O que garanto é que, após a experiência, a satisfação de aluno, família e escola é recompensadora”, finaliza a diretora e coordenadora Patricia Caram.