Saúde & Alimentação

Quando levar as crianças ao oftalmologista

teste do olhinho


Photo credit: .craig via VisualHunt / CC BY-NC-ND

A pediatra dos meus filhos me pede anualmente um exame oftalmológico deles… Só para checagem e acompanhamento. Não posso negar, acho um “pé” ter que levar os 2 no oftalmo, principalmente por não ter encontrado ainda uma clínica legal para crianças. Demora no atendimento e clínicas cheias sempre me fazem pensar em postergar esse tipo de consulta. Mas mesmo com essa preguiiiiça, não deixo de levá-los ao oftalmologista.

Alguns podem achar um tanto quanto precoce, mas saibam que é muito importante esse controle da saúde ocular das crianças. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 10 casos de perda de visão, oito poderiam ser evitados se tivessem sido detectados precocemente!

Ainda na maternidade, os recém-nascidos passa pelos primeiros testes, como o caso do “Teste do Olhinho”, recomendando pelo Ministério da Saúde nas primeiras 24 horas de vida do bebê. Porém, somente alguns Estados brasileiros que garantem o exame em hospitais públicos e privados.

O teste do olhinho é rápido, indolor e não necessita de colírio. Nele, uma fonte de luz é direcionada ao olho do bebê a uma distância de 20 centímetros, que deve refletir um tom vermelho semelhante ao observado em fotografias com flash. Caso a cor seja opaca, branca ou amarelada, significa que o recém-nascido possui alguma patologia e que deve ser tratada.

Só que depois que a gente “passa” no Teste do Olhinho, a gente relaxa e esquece (CONFESSO: nem me lembro se meus filhos realizaram esse teste na maternidade). Um erro! Muitos pais não sabem, mas os bebês estão sujeitos a diversas doenças visuais, como retinopatia, ambliopia, estrabismo, obstrução do canal lacrimal, conjuntivite, miopia, astigmatismo, etc. Segundo o oftalmologista Richard Yudi Hida, o ideal é que a primeira consulta a um especialista aconteça ainda nos primeiros meses de vida para detectar tais doenças. ”A maioria dos problemas nos olhos pode ser percebidas desde muito cedo e, quanto mais rápido o tratamento for iniciado, maiores serão as probabilidades de cura ou correção da patologia”, explica.

Temos que estar sempre atentos a quaisquer sinais estranhos nos olhos dos bebês, como lacrimejamento constante, coloração fora do normal, inchaço e secreção. Com meu filho mais velho, tivemos que ir ao especialista quando ele tinha menos de 1 mês, pois seus olhinhos lacrimejavam bastante, o tempo todo! Foi diagnosticado  obstrução do canal lacrimal e uma massagem ensinada pela médica resolveu o problema. Depois, voltamos quando ele completou 1 ano para consulta de rotina.

Na infância, também é importante estarmos alertas com a visão das crianças e o andamento no aprendizado na escola é um ótimo termômetro: “Se a criança se queixar com frequentes dores de cabeça após as aulas e dificuldade em enxergar longe, é possível que tenha sido acometido por alguma doença visual”, adverte Dr. Hida. “Apertar os olhos para enxergar, aproximar-se muito da televisão, coceira, caspas nos cílios e lacrimejamento excessivo são fortes evidências de que há algo errado”, completa.

SINAIS DE ALERTA

• Lacrimejamento excessivo mesmo sem choro – o ponto lacrimal por onde passa a lágrima pode estar fechado quando o bebê ainda é recém-nascido. A maioria dos casos se resolve espontaneamente ou com massagens especiais. Alguns casos necessitam de cirurgia.

• Vermelhidão – os olhos vermelhos indicam irritação, inflamação ou infecção na superfície ou dentro do olho. Exame mais específico é necessário para esclarecer a causa.

• Não conseguir seguir objetos com os olhos – após alguns meses de vida, os bebês já conseguem seguir objetos coloridos e pessoas com os olhos (sem fazer estímulo sonoro). A falta desta habilidade pode ser um problema.

• Dor de cabeça – se a criança se queixar frequentemente de dores de cabeça após a aula ou durante a lição de casa, é importante investigar as causas.

• Proximidade da TV – crianças que se sentam muito próximas à televisão ou qualquer objeto acima de 6 metros, podem ser míopes.

• Olho “apertado” – apertar um dos olhos é sinal de que a criança não está enxergando bem e pode estar sofrendo de ambliopia, ou seja, deficiência no desenvolvimento visual de um ou de ambos os olhos.

• Coceira – um dos principais sinais de que pode haver uma patologia. Pode ser oriunda de algum problema de visão ou a popular conjuntivite aguda ou crônica.

• Leitura – o fato de se perder no texto durante a leitura pode ser um sinal de alguma deficiência nos olhos.

• Sensibilidade à luz – crianças com sensibilidade excessiva em ambientes iluminados ou sob a luz solar podem ter alguma doença nos olhos.

• Histórico familiar – muitas doenças são hereditárias, por isso é importante levantar o histórico familiar para saber se alguém já foi acometido por alguma patologia ocular

 

* Post publicado originalmente em fevereiro/ 2015 e atualizado em maio/2017

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