Visitando as vinícolas da Serra da Mantiqueira: o novo protagonista da região Sudeste

Categoria: + Sudeste

Gosta de viajar e apreciar um bom vinho? Então está na hora de conhecer as vinícolas de Serra da Mantiqueira e provar os vinhos da Colheita de Inverno! 

taça de vinho

Visitar as cidades da Serra da Mantiqueira, entre SP e MG, já é um programa e tanto pela paisagem, a culinária, o clima, o contato com a natureza e toda aquela energia boa da serra. E que tal misturar tudo isso com um vinho de qualidade?! É lá, nas vinícolas da Serra da Mantiqueira, onde a gente vai encontrar os chamados vinhos de inverno!

Para entender a fama: o que é a Colheita de Inverno

Antes de mais nada, é importante dizer que estamos falando de vinhos finos, elaborados com as uvas viníferas. Não estamos falando do vinho de mesa, o popular “vinho de garrafão”, feito com uvas americanas, iguais as que a gente come. 

O destaque da Serra da Mantiqueira no enoturismo vem acontecendo graças a uma técnica chamada dupla poda (ou poda invertida). A introdução dessa técnica é recente, há 20 anos apenas, e é através dela que hoje as vinícolas aqui do Sudeste conseguem fazer a colheita de inverno

Os vinhedos da Stella Valentino, a mil metros de altitude

Isso porque a colheita no hemisfério sul é feita no verão. Mas o clima chuvoso da estação na Serra da Mantiqueira impossibilita a maturação saudável das uvas. 

E ai, com essa técnica da dupla poda, que engana o ciclo natural dos vinhedos, as uvas amadurecem no outono –  época de dias quentes e ensolarados e noites frias – e são colhidas no inverno! Resultam em vinhos excepcionais que valem muita a degustação!

Na Serra da Mantiqueira você vai encontrar vinhos de inverno principalmente das variedades Syrah e Sauvignon Blanc.

No rótulo você vai encontrar a informação de que se trata de um vinho proveniente da colheita de inverno.

No rótulo você vai encontrar a informação que o vinho é proveniente da colheita de inverno

E para conhecer os vinhos de inverno, estive nas cidades de Espírito Santo do Pinhal – SP (não confunda com Santo Antônio do Pinhal) e Andradas – MG em busca dessas vinícolas que estão se sobressaindo com a técnica da dupla poda. 

Roteiro e vinícolas da Serra da Mantiqueira

Espírito Santo do Pinhal (SP)

Distante apenas 190 km de São Paulo, é a cidade que abriga a Guaspari, vinícola boutique de grande prestígio, que ficou mais famosa ainda depois que a garrafa do seu Syrah Vista da Serra 2017 estampou a capa da revista Decanter – a primeira vinícola brasileira a conquistar tal façanha. 

A visita guiada à Vinícola Guaspari para conhecer o processo de produção dos vinhos, ver a cave das barricas e degustar alguns rótulos, é feita mediante reserva

Dica: a reserva para a visita na Guaspari, feita no site, é bem concorrida… Eu mesma não consegui, pois reservei a pousada antes e, quando fui agendar os passeios, a Guaspari já estava lotada.

Mas quem não faz questão do passeio guiado + degustação, é possível entrar para conhecer o recém inaugurado Wine Bar (onde você pode pedir uma taça de vinho ao ar livre e, lógico, a loja!

A loja da Vinicola Guaspari

Andradas (MG)

De Espírito Santo do Pinhal (SP) a Andradas (MG) são apenas 26 km e foi lá que tive a chance de visitar mais duas vinícolas: Casa Geraldo e Stella Valentino.

Comecei o dia na Casa Geraldo, vinícola que começou sua história em 1969, com os vinhos de mesa (expliquei no início do post), mas com o sucesso da técnica da dupla poda, a Casa Geraldo também passou a produzir vinhos finos (embora ainda tenha uma demanda muito grande nos vinhos de mesa).

A Casa Geraldo é um complexo turístico e vale muito a visita pela grandiosidade do lugar. Acho que quem vai com crianças é a vinícola mais interessante pelo espaço. Possui restaurante, loja e espaço para eventos (durante a minha visita estava sendo organizado um casamento – já quero renovar minhas bodas kkkk). 

Durante a visita pelos vinhedos da Casa Geraldo, explicação sobre a dupla poda e degustação

Aqui você tem a opção de vários tipos de visita, desde um piquenique no vinhedo a tours guiados pela vinícola, com degustação de vinhos e de espumantes em processo de elaboração nas autoclaves. É uma aula ao vivo e muito bacana!! Também é possível fazer um almoço harmonizado no restaurante (lógico que eu também optei por essa escolha rs).

Degustação de espumante ainda em elaboração nos tanques de inox da Casa Geraldo
Uma super novidade na Casa Geraldo: tanques de concreto, ainda em fase de testes e experimentos

De lá, parti para a Stella Valentino, também em Andradas, um dos precursores da técnica da dupla poda. Passeamos pelos vinhedos e depois degustamos os rótulos da vinícola. 

A entrada na Stella Valentino

O ponto alto deste passeio é sentar com o Sr. José Procópio Stella, agrônomo e proprietário da Stella Valentino. Seus antepassados vieram de Vêneto, na Itália, e começaram o cultivo de videiras para produzir vinhos para consumo próprio. Foi em 2002 que a Família Stella começou a produção de vinhos finos de inverno. 

Entre um vinho e outro, o Sr, Procópio, hoje com 71 anos, e com uma simpatia e carisma excepcional, compartilha todo o seu vasto conhecimento, conta a sua história e relembra da época de menino quando  comia a uva do pé junto com seu irmão. Não à toa, conhece suas terras de vinhedos como ninguém!

Degustação com o Sr. José Procópio Stella, proprietário da vinícola

Fiquei emocionada diversas vezes durante a degustação e bate papo. A cada gole, a gente consegue sentir toda a sua paixão e entende ainda mais porque o vinho é tão relacionado a experiências que ele carrega do que apenas o fato de ser uma bebida.

“Cada garrafa que você abre é uma história”, Sr. José Procópio Stella.

A degustação acontece em um salão da casa originária desde as primeiras gerações da família, com móveis rústicos e com todo aquele acolhimento de um sítio:  janelas abertas que enquadram o verde, visita de esquilos, macaquinhos e passarinhos. 

O salão de degustação: lugar de aromas, sabores e muitas histórias de vida

Provamos o Sauvignon Blanc Lonoris, o rosé Syrah Malus, o Syrah Modestus e o Tempranillo Angelus. Os nomes são uma homenagem aos antepassados. 

Impossível não trazer para casa as histórias engarrafadas do Sr. Procópio. São vinhos muito elaborados, de extrema qualidade, que surpreendem o paladar.

P.S. Como não havia um “motorista da rodada”, pedi indicação para a pousada e contratamos um motorista da cidade, que nos levou em todas as vinícolas. Se beber, não dirija!

Onde se hospedar em Espírito Santo do Pinhal

Ficamos na Hospedaria Casa da Pedra, uma pousada mágica e aconchegante, encravada sobre uma rocha, a 1.100 metros de altitude. 

Vista do Por do Sol na hospedaria Casa da Pedra

As suítes são muito charmosas, com vista para a mata nativa. Tem piscina, dá para fazer trilha, café da manhã muito gostoso e um atendimento muito simpático. 

Janela da minha suite na Hospedaria Casa da Pedra

O jantar na pousada é muito agradável, montaram as mesas na área da piscina, com fogueira e música ao vivo. 

Jantar com fogueira e, claro, vinho!

É bom saber que a carta de vinhos da pousada prestigia a Serra da Mantiqueira – taí uma ótima oportunidade para você conhecer alguns rótulos de vinícolas da região que você não vai conseguir visitar.

Por exemplo, escolhi um espumante premiado Sous Les Escaliers da Vinhos Maria Maria, que fica no sul de Minas, mas muitos quilômetros distante de onde eu estava. 

A carta de vinhos da pousada prestigia os rótulos da Serra da Mantiqueira
Antes de eu chegar, pedi para a pousada disponibilizar o espumante Maria Maria no meu quarto. Cheguei e ele já estava geladinho!

 

Gosta de Café?

Estamos em uma região cafeeira! Se sobrar tempo – ou se prefere o café ao vinho –  tem o projeto Do Genoma à Xícara, que apresenta em seus passeios agendados toda a cadeia produtiva do café, desde a muda a torrefação. 

Já no centro de Espírito Santo do Pinhal tem o Museu do Café, onde é possível fazer uma visita guiada com a historiadora Marly de Alencar Xavier.

 

Anote a principal dica: um final de semana é pouco!

 

E se você gosta de vinho e enoturismo, convido você a conhecer o meu projeto @EntreParreiras, onde compartilho experiências e descobertas do vinho! 

É uma viagem para ir com crianças?

Esse é um ponto importante e que vai até merecer um outro post! 

Já fiz uma visita com as crianças à Bodega Bouza, em Montevidéu, e foi muito gostoso, eles provaram a uva tannat do pé, curtiram os espaços ao ar livre e nós, adultos, conseguimos degustar os vinhos. 

Teodoro comendo uvas do pé na Bodega Bouza, em Montevidéu

Também já participamos da Pisa da Uva na Quinta do Olivardo, em São Roque (SP), com os filhos e foi uma experiência muito divertida.

Mas como eu também estou super envolvida com o @EntreParreiras, a finalidade dessa viagem foi para degustar, conhecer, ouvir histórias e, principalmente, aprender

Embora as visitas às outras vinícolas com as crianças tenham sido super proveitosas, vocês devem imaginar que a gente não consegue prestar atenção direito no que o guia fala, que uma hora ou outra tive que chamar a atenção das crianças, enfim. O intuito era outro!

Também foi o momento para aproveitar uma viagem de casal… Já fiz um post aqui explicando a importância do casal se conectar em viagens a dois

A pousada que ficamos, a Hospedaria Casa da Pedra, não oferecia nenhuma atividade nem espaço voltado para os pequenos … É o estilo de uma pousada mais romântica ou para ir com amigos, embora não haja restrição nenhuma.

A minha dica para quem vai com crianças é ficar em outro hotel, a Pousada Famiglia Barthô, que oferece mais opções de entretenimento, como espaço kids, playground, campo de futebol, etc.

  • Na Vinícola Guaspari não é permitida a visitação guiada com degustação com crianças. 
  • Já na Casa Geraldo é permitido crianças em alguns passeios, e inclusive servem suco de uva para os pequenos.
  • Na Stella Valentino não há restrição, mas a degustação acontece em um salão, onde ficamos sentados batendo papo com o proprietário da vinícola por cerca de 1 hora. Com certeza, se eu estivesse com meus filhos, teria pedido licença para sair com eles antes mesmo da primeira taça. 

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