Desabafo

Minha quase terceira gravidez

Vou contar uma coisa pra vocês que, além do meu marido, ninguém mais estava sabendo: dia desses passei por momentos de apreensão, pois encanei que poderia estar grávida do(a) terceirinho(a) “sem querer querendo”. Por 2 ou 3 dias fui tomada por emoções e sentimentos confusos, pois eu não conseguia distinguir se eu queria estar grávida ou não. Engravidar não faz parte dos meus planos neste momento e acho que a minha família já está completa, mas ao mesmo já pensei em ter 3 filhos (meu filme preferido é A Noviça Rebelde, lembram-se?) e… Bem, filho sempre é uma benção, né?

Hihihi foi assim que contei da minha segunda gravidez para o marido. A segunda!!

Hihihi foi assim que contei da minha segunda gravidez para o marido. A segunda!!

Minhas duas gestações foram bem planejadas e programadas – mesmo com o pequeno intervalo de tempo entre os dois, que é de 2 anos e 2 meses (descobri a segunda gravidez quando o mais velho estava com 1,5 ano). As duas gravidezes correram super bem: quase não passei mal, exames todos em ordem, engordei pouco e voltei ao peso inicial rapidamente, partos de ambos os filhos perfeitos, pós-parto sem muitas dores ou limitações, nada de baby blues ou depressão e, ainda por cima, bebês com raros episódios de cólicas nos primeiros meses. Sem dúvidas, foram dois momentos muito especiais e felizes da minha vida. Além disso, me sentia muito bonita e empoderada gestando uma vida em meu ventre.

Quando pensei que poderia estar grávida do(a) terceiro(a) sem ter planejado, fiquei ansiosa querendo comprar um teste de farmácia e já imaginando a cena ao contar a novidade. Me peguei até tentando adivinhar o sexo do bebê (hahah quem nunca?).

Mas depois me veio um medo. Onde vai dormir? Vamos ter que mudar de casa! E trocar o carro também. Minha nossa, e escolinha, como vamos pagar?

E corta o “Suquinho do Bem” do lanchinho da tarde, que tá muito caro! E na hora de andar de montanha-russa? Alguém sempre vai sobrar :(, pois seríamos agora em 5. Aliás, não sei porque estou pensando em montanha russa, porque ninguém aqui vai viajar! Disney? Esquece, né? Só se ganhar em promoção! E quem vai ter tempo de participar de alguma promoção aqui? Putz, e aquele cansaço dos primeiros meses que até dói, tamanha a exaustão? Ok, isso passa rápido, dá para pular.

 

Tudo isso sem contar com os meus medos mais sérios e profundos. Não é medo de dividir o amor. Hoje eu sei que quando nasce um filho, a gente não deixa de amar o outro… o amor não se divide, ele se multiplica. E o pensamento de “aaaahh, mas eu não vou poder dar a mesma atenção que eu dava” vai embora na mesma hora em que os irmãos se abraçam e demonstram carinho e amor um pelo outro. Meu medo era outro! Eu tive muito medo de morrer na gravidez da minha caçulinha Alice, mesmo com a gestação nota 10, e deixar meus filhos sem mãe. Medo de complicações no parto, sei lá. E hoje em dia, além desse medo, ainda tem essa historia de zika vírus. Quem me conhece sabe que eu sou encanadíssima e preocupada com tudo. Eu ficaria insuportável!

 

Além disso, minha nossa, como me canso com esses dois! Me divirto também, é verdade, e morro de amores. Tem horas que paro só para observá-los brincando juntos. Como são lindos! E quando eles me abraçam ao mesmo tempo? Me sinto a pessoa mais amada do PLANETA! Tenho certeza que com o(a) terceirinho(a) o amor e a admiração seria igual. Imaginem eles brincando com o(a) irmãozinho(a) mais novo, oooooinnn.

 

Mas peraí, eles são cansativos também quando resolvem que querem brincar com o mesmo brinquedo, que querem comer a mesma bolachinha, que querem assistir desenhos diferentes na TV e quer querem correr cada um para um lado no parque. E na hora de dormir, que tenho que dar trocentos remedinhos homeopáticos, de prevenção e vitaminas? Faço isso quase fechando os olhos de tanto cansaço. Tem dias que deixo o Kalyamon Kids pra lá, admito.

 

Hoje eu estava meio p. da vida arrumando e organizando a bagunça dos brinquedos de casa e já pensei: ahh, se tiver o(a) terceiro(a), ele(a) não vai ganhar presente novo não, vai ser tudo herdado, não tem mais espaço. E logo depois veio a culpa por ter pensado assim. Pode isso? O terceiro filho nem existe e a culpa materna já aparece! Ai, não tenho maturidade emocional pra isso não…

 

Tem gente que fala que cuidar de três é a mesma coisa que cuidar de dois, pois já faz as atividades em um esquema de linha de produção. Ai gente, não sei, não acredito… nesses meus dias de apreensão me imaginei cuidando de mais um e, pelo menos na minha imaginação, foi muito difícil! E querem saber até onde a minha mente voou? Visualizei o dia do ultrassom e o médico me dizendo: parabéns, mamãe, são gêmeos! (pausa para o desmaio). Bom, pelo menos assim ninguém ia sobrar na montanha russa, né?

 

Enfim, não, não estou grávida do(a) terceiro(a) e vou me prevenir melhor, pois engravidar não faz parte dos meus planos e nem das minhas possibilidades e capacidades hahah. Mas continuo achando o máximo ter 3 filhos (ou 4, né?). Bom, estou com 37 anos e ainda tenho um tempinho… tudo pode mudar… Neste ano planejei outras coisas para a minha vida. Quem sabe em 2017? Ou não (rs)!

 

E você, teve algum medo de engravidar novamente? Tem mais de 2 filhos? Como foi aí na sua casa?

Desabafo

Pare, olhe, escute: quando o(a) filho(a) precisa do seu colo (sobre birras e ataques)

Hoje meu filho mais velho deu um xilique daqueles em casa. Estava bem cansado, pois acabamos de voltar de uma viagem de 1 semana.

Tudo aconteceu depois que dei banho na caçula e peguei o leitinho dela. Quando fui me sentar com ela na poltrona que fica no meu quarto, como sempre faço, ele estava lá, vendo TV. Pedi que ele deitasse na cama, pois aquela era a hora da irmã tomar a mamadeira com a mamãe e que depois seria a sua vez (ele sempre respeita). Ele chorou, esperneou e não saiu. Pedi, expliquei, pedi novamente e nada, ele continuava esperneando. Me retirei e fui dar o leite para minha filha no quarto deles. Ele continuou aos berros. Desliguei a TV e disse que só ligaria até ele se acalmar. Óbvio que não se acalmou e, na verdade, isso só piorou as coisas. Só que não quis voltar atrás e ligar a TV, pois não queria ceder aos gritos e choros. Mas o deixei chorando ali, sem interromper: que extravase seu cansaço!

Eu estava no quarto ao lado e ele chorava de soluçar, mas um choro exausto, sabem? E ele não foi atrás de mim, apesar de ele saber aonde eu estava. Eu sabia que não era o desenho, a TV. Terminei de dar a mamadeira, deitei a minha filha no berço e fui ver meu filho. Abracei-o e expliquei o porquê de ele ficar sem desenho nesse restinho de noite. Que já era hora de dormir, ele estava cansado e que ele não tinha sido legal de não dar o lugar quando eu pedi. Ele continuou chorando muito, mas mesmo assim retribuía meu abraço forte. Preparei seu leite – com ele no colo (15 kg) – voltei para o meu quarto e sentei na poltrona com ele, como sempre faço. Afinal, era a vez dele. Mas dessa vez, o sentei no meu colo (aperta um pouco que cabe) e dei a mamadeira (sim, a mamadeira) pra ele na posição de bebê. Ele nem segurou a mamadeira, ficou no meu colo como um bebezinho mesmo. Quando terminou, coloquei ele na cama, deitei ao seu lado e ninguém falou nada. Não rezamos pro papai do céu, ele não escovou os dentes e nem tomou os remedinhos do dia a dia. Apenas nos olhamos, deitamos abraçadinhos e assim ficamos até ele cair no sono profundo – menos de 3 minutos. E nessa hora eu chorei. Chorei porque vi o quanto meu filho estava precisando de mim. Precisando de um colo.

Apenas um colo. Colo de mãe cura.

Quando o(a) segundo(a) filho nasce, sem querer a gente acaba tratando o(a) mais velho(a) como mais maduro, mais responsável e independente. “Cuide da sua irmã. Não deixe sua irmã fazer isso. Olhe sua irmã” (claro que jamais falei isso em situações que poderiam oferecer algum risco). Só que o(a) mais velho(a) é uma criancinha ainda que também precisa de atenção exclusiva. Mimo muito meus dois filhos, tenho meus momentos só com os dois exatamente para eles se sentirem amados individualmente. Mas mesmo assim, na correria do dia a dia, a gente falha, deixa passar uma atenção que ele pediu “fora de hora”.

Esse comportamento só me mostrou como os filhos são frágeis e captam toda nossa energia. Ando muito impaciente com ele, muito mesmo. É a idade dele (3a7m), a idade dela (1a5m), as férias escolares, o pouquíssimo tempo que tenho pra mim, inclusive pra dormir, enfim, N fatores que contribuem.

pare olhe escute

É preciso parar, olhar, escutar, respirar.

Não é fácil. Mas me mantenho firme no propósito de ser a melhor mãe que meus filhos podem ter e isso me dá forças para ser cada dia uma pessoa melhor. Mesmo com minhas falhas e meus erros. Porque a gente sabe quando erra com os filhos, a gente sabe quando exagera numa bronca, quando fala mais alto que o necessário, quando dá um “peraí” desnecessário (entenda por emails, facebook, WhatsApp, Instagram, etc), quando nega um pedido bobo. E o importante é reconhecer essa falha e tentar melhorar.

Hoje, durante seu ataque de birra (carência), eu quase levantei a voz pra falar mais alto que seu choro, quase lhe apontei o dedo e quase o mandei parar de chorar “sem motivo”. Em vez disso, preferi abraçá-lo. E isso nos fez um bem danado. Eu espero e eu quero muito que essa minha atitude se repita nas próximas vezes. Sim, porque haverá outras vezes. Amanhã mesmo, talvez. E se eu não conseguir manter a calma, eu tentarei na próxima e na próxima e na próxima.

Porque eu sou mãe e não desisto nunca!

P.S. A foto da placa “Pare, Olhe, Escute” é de uma pousada que fiquei em 2006 (por isso a qualidade) na cidade de Gonçalves, em MG. Eu sabia que um dia ela me faria o maior sentido, por isso fotografei.