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Cuidados com a saúde após o parto: entrevista com Dr. Paulo Nowak, da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo

No post anterior, falei sobre como é fácil as mães se esquecerem da própria saúde por conta da nova rotina na maternidade e contei sobre a descoberta de um nódulo no meu seio. É muita correria e a gente acaba deixando nossa saúde para trás, eu sei! Mas repito: nossos filhos precisam da gente… então cuidem-se!

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nossos filhos precisam da gente… então cuidem-se! / Photo via Visual Hunt

Em entrevista com o Dr. Paulo Nowak, membro da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP), descobri que existem estudos que mostram que quase metade das mulheres não voltam no obstetra após o parto.

Além da recuperação da mulher após o parto e identificar o melhor método contraconceptivo para o período, o retorno no obstetra também pode ajudar a identificar os sintomas da depressão pós-parto. O Dr. Paulo Nowak indica que a mãe deve voltar ao médico em 10 dias, 40 dias e 6 meses depois do nascimento do bebê.

Confiram a entrevista:

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“Após a consulta de 10 dias, normalmente a paciente retorna ao médico 40 dias e 6 meses pós-parto. Na consulta de 40 dias o obstetra vai avaliar se a paciente pode retornar a sua rotina” / Photo via Visualhunt

Depois do nascimento dos filhos é comum as mulheres deixarem a própria saúde de lado e não voltarem ao consultório?
A rotina exaustiva de cuidados com o bebe no período pós-parto pode fazer a mãe esquecer da sua própria saúde. Existem estudos que mostram que quase metade das mulheres não voltam no obstetra. A primeira consulta deve ser realizada cerca de 10 dias após o parto. Nesse momento o médico vai avaliar a recuperação após o parto, checar se existe algum sangramento acima do normal, se o útero está voltando ao seu tamanho, retirar pontos se necessário, checar como estão as mamas e ajudar na amamentação. Além disso é um momento importante para avaliar como está a saúde mental da mãe, e se ela não está sobrecarregada com os cuidados com o bebê e necessitando de ajuda.

O médico obstetra também pode ajudar a paciente a identificar a depressão pós-parto?
A depressão pós-parto costuma acontecer após as 2 primeiras semanas. Antes desse período é muito frequente que a mulher se sinta triste, chore com facilidade e fique mais emotiva. É uma fase conhecida como baby blues, e se não houver melhora desses sintomas após as duas semanas podemos estar frente a um quadro depressivo. O obstetra é o profissional que está acostumado a identificar os sintomas e ajudar no tratamento da depressão pós-parto.

Quais os exames que a mulher precisa fazer logo após o parto e quando eles devem ser feitos?
Se a gravidez e o parto transcorreram de forma normal, sem doenças associadas, não serão necessários exames laboratoriais nessa fase. A consulta médica e exame clínico adequado vão identificar se existe a necessidade de alguma pesquisa especifica para complicações que podem acontecer nesse período, como anemia, trombose e infecções.

Quando a paciente não tem nenhuma queixa emergencial, qual o intervalo ideal para fazer uma consulta de rotina com o ginecologista?
Após a consulta de 10 dias, normalmente a paciente retorna ao médico 40 dias e 6 meses pós-parto. Na consulta de 40 dias o obstetra vai avaliar se a paciente pode retornar a sua rotina, se ela ainda tem restrições para atividade física, e se ela pode sair do resguardo. Também nesse momento se avalia a melhor opção de anticoncepção, lembrando que durante a amamentação existem restrições a alguns métodos contraceptivos.

E quais são os exames considerados de rotina para fazer nesses retornos ao médico? Que doenças podemos prevenir ou diagnosticar com antecedência se fizermos esses exames?
Após 6 meses, a consulta vai ser ginecológica. A paciente volta a fazer seus exames de rotina de acordo com sua faixa etária, como Papanicolau, rotina de sangue e exames de imagem que forem necessários. Se ela tem doenças crônicas também é uma boa hora para avaliar se o tratamento está adequado ou se são necessários novos exames e alterações na medicação.

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Tenho certeza que depois que você se tornou mãe, você entendeu o verdadeiro significado de “vida corrida” e “sem tempo para nada”. Os filhos tornam-se a nossa prioridade e ocupam boa parte do nosso tempo, do pensamento e das preocupações (com toda razão, né?). Mas, gente… para os nossos filhos crescerem saudáveis, eles também precisam de uma mãe saudável.  Aquela brincadeira de que “mãe não pode ficar doente” é uma grande verdade.

Depois das visitas frequentes ao obstetra e da enxurrada de exames durante a gravidez, a mulher tende a esquecer da própria saúde depois que o bebê nasce. É totalmente compreensível, afinal, a adaptação para essa nova vida (a vida de mãe) demora um pouco mesmo. Aí quando você começa a se acostumar com a rotina, a licença maternidade chega ao fim e você tem uma nova preocupação: a volta ao trabalho. Isso sem contar com a mudança no relacionamento com o parceiro (que muda, vai!), o cansaço físico, emocional, escolha da creche, além de toooodas as preocupações rotineiras, que não são poucas. E a sua saúde acaba indo lá para o fim da lista de prioridades :/

Para os nossos filhos crescerem saudáveis, eles também precisam de uma mãe saudável.

Para os nossos filhos crescerem saudáveis, eles também precisam de uma mãe saudável. / Photo credit: Thomas Hawk via Visualhunt.com / CC BY-NC

Mas não podemos! Cuidem-se! Seus filhos precisam de você!

Falo por experiência própria. Dei uma sumida na ginecologista depois que a minha caçula, atualmente com 2 anos e meio, nasceu. Após 2 anos, com uma cólica fora do padrão que estava me preocupando, decidi retornar à médica. No final das contas, a cólica não era nada de anormal. Mas ela me pediu alguns exames de rotina e BUM: apareceu um nódulo na mama! Totalmente inesperado! Na verdade eu já estava sentindo um incômodo no seio há um tempo, mas tinha certeza que eram o araminhos do soutien que estavam me machucando. Fazendo o auto exame, eu confundia esse nódulo com os ductos mamários e, assim, dizia para mim mesma que não era nada, que eu estava procurando pelo em ovo. Logo em seguida, me lembrava de alguma coisa urgente que eu precisava fazer e mais uma vez minha saúde ia para o final da lista.

Felizmente, a princípio esse nódulo é benigno (e espero que continue assim). Ele foi classificado no padrão internacional BI-RADS na categoria 3, que quer dizer “nódulo provavelmente benigno, com chance de 2% de ser maligno”, e que pede um controle de mamografia e ultrassom das mamas semestralmente por um período de tempo. Não preciso nem dizer que tudo isso me deixou apavorada, né? Por mais que existam resultados mais preocupantes, preferia que não tivesse nada.

Ainda estou em processo de consultas a mastologistas e exames complementares para assegurar que o nódulo seja realmente benigno e para saber se precisarei operar para retirar, mesmo sendo benigno. Foi um susto (e ainda está sendo), mas serviu para mostrar a importância de nos cuidarmos, de não deixarmos de lado a nossa saúde.

Atualização: leiam a continuação e os detalhes no post “Um susto em minha vida: o resultado da mamografia

Somos mães e nossos filhos precisam da gente!

Vão ao médico regularmente, façam seus exames de rotina, cuidem-se!

Durante esse processo de descoberta do nódulo no meu seio, fiz uma entrevista com o Dr. Paulo Nowak, ginecologista e obstetra, membro da diretoria da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP) sobre os cuidados que a mãe deve ter após o parto. Ele me contou que estudos apontam que quase metade das mulheres não voltam no obstetra! Como eu disse no início do post, super compreensível… mas não dá! Tem que voltar ao médico sim! Clique aqui para ler a entrevista.